Pais e filhos, parceria que dá nota

Pais e filhos, parceria que dá nota

elvira

20 Agosto 2015 | 17h10

A Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) — responsável pelo Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA, em inglês) — possui um intrigante estudo acerca dos efeitos da atuação dos pais na aprendizagem de jovens de 15 anos.

Adolescentes que contam com a participação dos pais em certos aspectos de seu cotidiano aprendem mais do que os que não contam. Essa conclusão é válida ainda quando se pondera as vantagens e desvantagens socioeconômicas.

Ler livros com os filhos no primeiro ano do Ensino Fundamental se mostrou uma ação poderosa no incremento da capacidade de ler, quando avaliada aos 15 anos.

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Há países em que tal prática resultou em uma vantagem de mais de meio ano em termos de aprendizagem. Também se mostram como prática muito proveitosa as conversas a respeito de como foi o dia. Além disso, contar histórias é outro aspecto que parece ter significativo impacto na aprendizagem.

A pesquisa concluiu que discutir política e aspectos sociais, trocar opiniões acerca de leituras, filmes e programas de tv, fazer uma refeição à mesa com os filhos e dedicar algum tempo apenas para conversar também são práticas que tiveram um efeito importante na avaliação de leitura.

É importante ter clareza de que essas ações não dependem de os pais serem doutores em áreas do conhecimento. Claro que algumas delas dependem de condições socioeconômicas, incluindo tempo livre. Nesses casos, há um dado importante: se acontecerem pelo menos uma vez por semana, essas ações já surtem efeito.

A pesquisa não evidencia se há causalidade ou correlação entre essas ações e o incremento na aprendizagem. Na Escola Villare temos a hipótese de que todas essas práticas são situações de interação mediada pela linguagem, muitas vezes escrita, carregadas de conteúdo afetivo e mobilizadoras de pensamentos mais complexos, contribuindo, dessa forma, para o desenvolvimento, sobretudo, em leitura.

Em se tratando da aprendizagem escolar, notamos em nossa prática que valores comuns à escola e à família, principalmente no que se refere à importância do conhecimento, e uma parceria de qualidade são elementos que potencializam a ação escolar. Não se trata de transferir às famílias a responsabilidade pelas tarefas escolares ou de tercerizar à escola as obrigações familiares de afeto, construção de limite e consequencialidade. Trata-se, sobretudo, de ecoarem entre si os mesmos princípios e valores, reforçando uma a outra no que concerne à relação com o saber, mediada pela escola.

Conscientes dos valores dessas práticas, na Escola Villare, o estímulo da formação crítica de nossos alunos e as discussões de assuntos diversos, embasadas em filmes, notícias, músicas, livros, artigos de opinião etc., têm papel importante no cotidiano da escola. Também se destaca em nossa prática o lugar privilegiado que ocupam as atividades de leitura de textos literários, seja no Sarau de Contos, que é realizado no Ensino Médio, seja no Ler é Mais, que é um projeto da Educação Infantil e do Ensino Fundamental. Essas ações, que refletem práticas cotidianas de sala de aula, propiciam a circulação do livro e estimulam a leitura na escola, estendendo-se ao núcleo familiar.

Entendemos que, desse modo, ao formarmos alunos críticos e leitores, podemos contribuir para a interação entre pais e filhos, nos moldes do apresentado pela pesquisa, visto que a iniciativa dessa interação deixa de ser exclusivamente dos pais e passa a ser compartilhada com os filhos. Nossos jovens têm o desejo e o conteúdo ampliados por essas práticas da Escola Villare.

Ernani Soares de Paula
Coordenador Geral do Ensino Fundamental II e do Ensino Médio

[1] OCDE. O que os  pais podem fazer para ajudar os filhos a terem sucesso na escola? Pisa em Foco. 10. Novembro de 2011. Disponível em download.inep.gov.br/acoes_internacionais/pisa/pisa_em_foco/2011/pisa_em_foco_n10.pdf. Acessado em julho de 2015.