Escola, livros e leitores

Escola, livros e leitores

elvira

13 Agosto 2015 | 10h13

Que tempos e espaços são necessários na escola para que consigamos oferecer aos alunos uma verdadeira educação literária?

A literatura abre possibilidades de compreensão do mundo e de fruição da vida. Como construção cultural das pessoas, é ponte de acesso ao pensamento construído por diferentes gerações.

Formar cidadãos da cultura escrita é um dos principais objetivos educativos da escola. A educação literária, inserida nesse propósito, é meio pelo qual se pretende contribuir para a formação da pessoa.

Promover uma educação literária é pensar a formação do aluno a partir de um verdadeiro itinerário de leitura. Um contexto planejado a partir de um enredamento, um trançado de situações oferecidas no cotidiano escolar que permita o envolvimento em uma diversidade de ações em torno dos livros.

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Para tanto, como ponto inicial desta tarefa, é preciso que se estimule na escola o encontro dos alunos com os livros. É necessário que se planeje diferentes tempos e espaços em que se ativem ações dirigidas ao confronto dos textos, à apreciação de diferentes obras e ao diálogo permanente sobre elas.

Com o objetivo de incrementar a presença literária na Villare, indo além dos momentos já ritualizados de leitura em sala de aula e permitindo que se dinamizem as ações de formação, criamos um projeto institucional de valorização da literatura. O “Ler é Mais” se constitui como um programa que prevê a cada ano, ao longo de todo mês de agosto, o desenvolvimento de uma diversidade de situações em torno da leitura, aproximando a comunidade escolar.

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Em sua edição anterior, o “Ler é Mais” mobilizou a escola ao redor da apreciação das poesias de Manoel de Barros. Neste ano é a vez do cordel, que abre campos para a discussão de realidades sociais e culturais, bem como favorece, mais uma vez, a experiência criativa do texto poético. São situações que renovam as práticas rotineiras, dando vigor à relação da literatura com outras formas artísticas e motivando a função comunicativa da leitura e da escrita.

Ler cordéis é adentrar em outro espaço, articulando saberes que perpassam por personagens, sabores, paisagens e enredos bastante peculiares. São janelas que a escola constrói tendo como foco a construção da identidade cultural.

“A poesia introduz na escola um fermento que derrubará muros.”

(Georges Jean)

 Derrubar muros e permitir que as pessoas se aproximem entre si e com os textos. O Ler é Mais é um projeto que pretende fomentar essa aproximação. Mas não é único na Escola Villare. Neste itinerário de leitura, pensado cuidadosamente tendo em vista a concretização de uma educação literária, se inserem muitas outras práticas.

Da Educação Infantil ao Ensino Médio, buscamos insistentemente a articulação de ações no intuito que os alunos ampliem progressivamente o grau de complexidade de leitura. Sabemos que não se aprende ler textos difíceis lendo textos fáceis. Tal afirmação, de autoria da pesquisadora Teresa Colomer1, justifica o fato de desenvolvermos um currículo que inclui a leitura e discussão de obras integrais, muitas das quais podemos considerar heranças literárias da humanidade. Textos muitas vezes considerados difíceis, sua compreensão é enfrentada em situações em que a experiência da leitura é discutida e comparada.

Neste sentido, as aulas em que os alunos compartilham sua experiência de leitura são ricos momentos que favorecem também o desenvolvimento da oralidade, da argumentação, bem como do uso da metalinguagem literária. São práticas que fomentam aprendizagens conjugadas à formação do leitor.

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A multiplicidade de situações oferecidas pela escola no âmbito de uma educação literária é condição para que se potencializem as experiências leitoras e estímulo ao desenvolvimento da competência interpretativa. É por isso que cabe à escola planejar tempos e espaços variados do encontro dos alunos com os livros.

Como fatores decisivos na constituição de um projeto educativo responsável, incentivar a leitura e ensinar a ler são objetivos que devem se fixar na linha de frente do trabalho escolar. É isso o que fazemos de forma permanente na Villare, em ações articuladas e fiéis ao desenvolvimento de uma verdadeira educação literária.

 

Ligia Colonhesi Berenguel
Vice-diretora do Ensino Fundamental I

 

  1. Coordenadora do grupo de pesquisa de Literatura Infantil e Juvenil e de Educação Literária (Gretel) da Universidade Autônoma de Barcelona.