Voltei!

Estadão

15 Outubro 2010 | 11h12

Vou falar… por mais que só digam maravilhas sobre Brasilia, tenho algumas impressões contrarias. Sinceramente, é muito estranho ter estado lá.

Estar em uma cidade que foi completamente planejada, que não surgiu como as outras, me deu uma sensação muito incômoda. De tão perfeita que a cidade é, é como se também não fosse humana. Tudo que é redondo é redondo demais, tudo que é quadrado é quadrado demais. A capital é realmente linda (e absurdamente quente), mas isso não exclui o fato de que é muito estranho ter estado lá.

Bom… vamos começar, certo?

Depois da loucura das eleições (ainda bem que teremos 2º turno!!), a turma toda se encontrou no aeroporto (miraculosamente todo mundo chegou no horário). Voo tranquilo.


1º Desafio!! Acomodar as malas em duas vans, com sono a tarefa fica mil vezes mais difícil. Na chegada ao albergue, provavelmente acordamos todo mundo, já que os sem noção fizeram uma barulheira infernal.

Mais ou menos cedo, no dia seguinte (4 de outubro) fomos ao Memorial de JK.
Digo por mim, ver pela primeira vez uma foto do sr. Juscelino foi até que engraçado, sabe? Era uma figura marcante, não só por seus feitos e coragem de fazer tudo que fez em seu curto mandato. Seu jeitão (pelo menos nas fotos) marcou muito,

Sabia que a catedral era maravilhosa, só não pensei que de perto pudesse ser ainda mais bela. Não sou uma pessoa religiosa, para ser bem sincera tô longe disso, mesmo tendo sido batizada, mas tiro meu chapéu para aquela catedral! Nossa… nem sei ao certo quantas fotos tirei de seu interior, especialmente dos anjos pendurados. Minha imaginação pensou cada coisa enquanto estavamos por lá. Ah… claro, para variar, que tal cantar? Sim… fizemos isso, para “testar a acústica da catedral”, não sei como não fomos presos por isso!

Espaço Lucio Costa, aquele por trás do projeto piloto! Uma breve (ou não tão breve) aula sobre o gênio e relembrando o antigo sonho de se ter uma capital no interior do país, algo que levou anos e anos para finalmente acontecer.

Passamos o resto do dia no único gramadão verde da capital. Sim, estou falando daquele extenso gramadão diante do Congresso. Por que será que somente lá os chefões se preocupam em deixar verdinho? Pelo que foi possível ver durante nossa permanência em Brasilia, só lá existe um eficiente sistema de irrigação para a grama — ao contrário do resto da cidade, mergulhada num amarelo árido.

No dia seguinte, fomos fazer um tour pelo Congresso. Os senadores são privilegiados, sabe? Muito bonita sua Casa, embora poucos (para não dizer nenhum) tenham aparecido para trabalhar. Incrível, férias ganhando salários gordos… Também quero no futuro tirar férias assim!

Fiquei muito decepcionada com a nossa tão esperada visita ao Itamaraty. Esperava ouvir sobre o trabalho do itamaraty, não um monte de conversa fiada sobre as coisas em seu interior (muito menos sobre os tais tapetes persas intocáveis!). Foi o momento mais fútil da viagem, passar uns 40 minutos com um engomadinho falando sobre mobilha e tapetes (que nem são tão maravilhosos).

Voltando ao albergue, foi aquela correria para tomar banho e arrumar tudo, pois naquela noite (5 de outubro) iríamos para Alto Paraíso (GO). Caímos na estrada em duas vans lotadas de pessoas e malas, ao estilo lata de sardinha, durante 3 horas.

Bem vindo a Alto Paraíso, mil vezes mais agradável de se viver! Uma cidade de verdade e com clima muito mais fresco que Brasília. No caminho das cachoeiras Anjos e Arcanjos, paramos num produtor de açúcar orgânico. Nada como ver o velho açúcar mascavo usado aqui em casa sendo feito ao vivo e a cores, o cheiro doce (asseguro a vocês) é capaz de matar um diabético.

Na volta para a pousada, paramos na casa de uma ex-parteira. D. Flor, mãe de 18 filhos, tinha muita coisa para contar. Pessoas como ela mostram para nós, urbanóides da selva de concreto, tudo que abandonamos ao nos fecharmos na cidade e esquecemos quando paramos de usufruir da natureza a nossa volta. D. Flor sabe muito mais do que todos os medicos pomposos que acham que em pouco mais de 5 minutos podem salvar nossa vida.

Em 7 de outubro, fomos a um assentamento do MST. Chegamos de surpresa e fomos muito bem acolhidos. Muitos devem pensar que os integrantes do MST são marginais que se aproveitam da verba publica (talvez alguns até sejam), mas aqueles que nos receberam eram pessoas de bem, com histórias de sofrimento e luta para contar. Só depois de sete longos anos finalmente eles estavam começando a ganhar verba para poder construir suas casas (alguns já tinham ganhando a verba e construido suas casas, porém, pelo que nos foi dito, a grande maioria ainda estava de baixo de barracões de lona preta).

Voltamos a Brasília naquela noite, para no dia seguinte embarcamos de volta para casa. Chegada a São Paulo foi calma, chegada em casa, então, foi melhor ainda!

É isso aí, agora é aproveitar a semana da primavera e me preparar para minha primeira prova dos vestibulares! Falta pouco tempo, mas tudo vai dar certo (pelo menos eu espero que dê!).

Sabrina está no 3º ano do ensino médio da escola Waldorf Micael

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