Um olho no livro, outro no jornal

Estadão

08 Julho 2011 | 11h09

O noticiário deixa estudantes literalmente de orelha em pé. Isso porque existe a possibilidade de acontecimentos de repercussão global serem utilizados para a formulação de questões do vestibular – o que não é uma novidade. No ano passado, por exemplo, uma das questões da segunda fase da Fuvest se referia ao Haiti, país que foi devastado por terremotos há um ano.

Embora tais assuntos sejam utilizados, tais questões, na realidade, servem apenas de pretexto para que um outro assunto seja abordado, para alívio dos vestibulandos. De qualquer forma, sim, além de estudarmos a matéria propriamente dita, devemos sair de nossa redoma. O vestibular exige, de inúmeras formas, que o aluno esteja conectado com o resto do mundo. Uma boa dica para quem tem pouco tempo é assistir o Jornal da TV Cultura, que conta com sociólogos, filósofos e juristas para a discussão de diversos temas.

A internet também é outra ferramenta que pode complementar os estudos. Sempre que posso navego em busca das principais notícias do dia. Na semana passada, um artigo me chamou atenção. Discutia o Projeto de Lei 408, proposto pelo senador Cristovam Buarque, pelo qual os filhos de agentes públicos eleitos seriam obrigados a estudar em escola pública até 2014.

Segundo o autor, a aceitação do projeto provocaria um maior interesse das autoridades para com a educação pública e, além disso, evitaria a evasão legal de dinheiro deduzido no imposto de renda dos parlamentares. Trata-se de uma questão curiosa e, cá entre nós, daria um belo tema de redação, tendo em vista que um projeto de lei que proibia estrangeirismos na língua já o foi.

Será que, realmente, a aprovação de tal projeto traria benefícios? Não é meu propósito responder a essa pergunta, mas, com certeza, a participação ativa da população em tais questões, seja discutindo ou propondo alterações, seria benéfica.

Caio Godinho é aluno do Anglo