‘Trabalhar com DNA é ter fé’

Estadão

20 Julho 2011 | 13h21

Trabalhar com DNA e RNA é ter fé. Você faz um monte de reações, segue diversos passos e etapas e nunca vê com o que trabalha. Essa é a visão de alguém que não gosta de biologia molecular (vulgo eu!) e que, além de aprender a cultivar e manter uma colônia do C. elegans, tem de aprender a modificá-lo. O que implica aprender biologia molecular.

O feitiço acabou virando contra o feitiçeiro: eu sempre fiz piada dos meus amigos que trabalham com biologia molecular e agora tenho que aprender todas as técnicas básicas para poder modificar o C. elegans para ter o modelo ideal. Parece que estou de volta ao vestibular, tenho que estudar matérias que não gosto para poder ter conhecimento suficiente para ter sucesso na prova.

Agora tenho que aprender a usar uma série de técnicas que não me interessam muito para ter um currículo bom e conseguir fazer um trabalho bom para ser publicado. Para, no futuro, conseguir conhecer e ser bom o suficiente para passar em outra prova, dessa vez o concurso para professor universitário.

Bruno Queliconi é doutorando no Instituto de Química da USP