Sobre as mudanças na Fuvest

Estadão

16 Junho 2011 | 10h12

Quando o assunto é mudanças no vestibular, nós, vestibulandos, estamos sempre atentos. Há duas semanas foi a vez da Fuvest anunciar alterações (aprovadas já para a próxima edição). Das cinco modificações, apenas uma eu julgo como favorável: a nota da primeira fase voltando a contar para a nota final do candidato.

Já o aumento do bônus para os estudantes de escolas públicas, que poderia ser uma melhoria, acabou por me decepcionar. Os alunos que ainda estiverem cursando o ensino médio terão direito ao bônus de acordo com seu desempenho no Pasusp e na Fuvest. Os alunos que já terminaram o colegial apenas terão direito ao bônus se acertarem pelo menos 60 questões. Ao menos é o que me parece, corrijam-me se eu estiver errada.

Essa mudança, somada às outras três (aumento da nota mínima de 22 para 27, diminuição das questões da segunda fase de 20 para 16, e diminuição no índice de convocados para a segunda fase), sob o pretexto de melhorar a qualidade da seleção dos alunos que entram na universidade e fortalecer a escola pública, me parece apenas uma boa desculpa para reformas que tornam a Fuvest uma prova mais exclusiva.

Essas mudanças farão com que menos candidatos tenham a chance de ingressar na universidade, já os deixando fora do processo seletivo a partir da primeira prova. E não vejo qual ganho obtêm as escolas públicas. Nos últimos anos, apenas cerca de 20% dos estudantes que entram na USP têm seu ensino médio formado em colégio público. Minha preocupação é que esta porcentagem diminua ainda mais.

E embora digam que as reformas não irão mexer estruturalmente na prova, eu discordo. O vestibular fica sim mais difícil, tendo em vista que os impasses se tornam maiores.

Prestarei a Fuvest e confesso que estou preocupada. Resta-me estudar e esperar.

Luiza Nunes é aluna do Cursinho da Poli

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