O mínimo que exigimos do MEC é respeito

Estadão

03 Novembro 2011 | 14h15

Comemorei o sucesso do Enem cedo demais. Para quem já acreditava que esse ano, após já terem sido realizadas as provas, não haveria problemas (visto que a prova em si foi tranquila), o histórico se fez mais uma vez presente. Dessa vez, embora tenha sido falha do Inep, também foi um ato de má fé do Colégio Christus. Não deveria ter sido utilizado na prova oficial as questões utilizadas para a avaliação de grau de dificuldade das perguntas. E o colégio tampouco deveria utilizar as questões-testes em seu simulado, dias antes da prova.

Mais uma vez, milhões de estudantes estão de mãos atadas esperando por alguma justiça e resposta. Esta é uma questão delicadíssima, porque toda saída parece injusta. Se cancelar a prova para todos os estudantes, fica extremamente difícil uma data nova. Se cancelar as quatorze questões que vazaram, como ficam os estudantes que acertaram essas questões? A perda de pontos não é justa. Há ainda a possibilidade de cancelar a prova dos alunos do Christus, no entanto o argumento contra é de que, em teoria, eles terão mais tempo para estudar para a nova avaliação. Se cancelar as quatorze questões apenas deles, então corremos o risco de ser feita uma avaliação diferente, e o problema não será resolvido. E se nada for feito, também não será justo com todos os outros estudantes. É realmente lamentável essa sequência de erros.

Vejo na unificação uma possibilidade boa para milhares de jovens. Primeiro, porque se faz uma prova para tentar ingressar em diversas faculdades; isso poupa desperdício e um trabalho enorme; além, é claro, de melhorar a situação para os estudantes, que desta forma não precisam fazer milhares de provas em datas apertadíssimas, poupando assim maior cansaço físico e psicológico. Segundo, que o dinheiro que se gasta na inscrição dos vestibulares é altíssimo, com o Enem isso melhora muito. O que acontece, porém, é que a idéia é boa, mas a prática deixa a desejar. O sistema não consegue realizar aquilo que se propõe.

Não sei quantos erros mais suportarão as instituições que acataram o Enem ou quanto tempo mais o Enem suportará suas próprias falhas. É, de fato, um descaso com os estudantes de todo o Brasil. E mais que isso, é um descaso com a nossa Educação, há muito esquecida. O mínimo que exigimos por parte tanto do Inep, quanto do MEC, é respeito.

Luiza Nunes é aluna do Cursinho da Poli