Carta de motivação

Estadão

12 Janeiro 2012 | 16h26

É comum ouvir no Brasil que o trabalho só começa após o carnaval. No IQ isso é mentira, e das grandes. Nesta semana tudo já voltou ao ritmo normal. A maior parte das pessoas já voltou ao trabalho e já temos datas apertadas de novo – no dia 15 de janeiro, já abrem as inscrições para congressos e temos de preparar todos os documentos rapidamente.

Quase todo congresso oferece prêmios-viagem (que pagam a sua passagem e estadia ou oferecem uma contribuição para custear essas despesas). Nesses casos simples, basta mandar seu resumo. Se ele for considerado bom, você será contemplado. Outros congressos têm prêmios maiores que ajudam no currículo. Nesses casos, as exigências são maiores: cartas de recomendação (do seu orientador e às vezes de outras pessoas), seu currículo e uma carta de motivação.

A carta de motivação é o mais complicado. Sempre que escrevo uma, penso nos testes absurdos e que fazem pouco sentido a que meus amigos são submetidos nas entrevistas. Essas cartas buscam medir (acho eu) a sua real intenção ao participar no prêmio: se é o dinheiro, a viagem, o currículo, ou se você está aplicando porque realmente está
interessado no congresso e aí o prêmio vai ser dado a quem realmente merece.

Nesse ponto eu ainda sou muito novato, mas percebo que se você se preocupa em ter boas relações com seus colegas de instituto e buscar colaborações, ajudar um colega com alguma dificuldade experimental e tentar participar na vida do lugar onde trabalha para que todos trabalhem melhor, você terá diversos pontos para usar a seu favor na hora de escrever essas cartas. Você consegue usar esses fatos para se apresentar como um bom cientista e mostra que você é sólido e não um oportunista de plantão.

Bruno Queliconi é doutorando no Instituto de Química da USP

* Atualizado às 14h30 do dia 2/2