Frustrações, incertezas e um ano novinho em folha

Estadão

13 Janeiro 2011 | 16h09

Os últimos dias de 2010 foram de reflexão. E também de estudo. Não fiquei tão feliz com a aprovação na Fuvest, pois não era o que eu desejava. Mas, mesmo assim, fui até o final da segunda fase.

Não senti alívio nenhum. Pelo contrário: as responsabilidades aumentaram esse ano. Não passei na Unicamp por míseros 4 pontos…Que injustiça! Queria ter feito aquela prova com a mesma calma com a qual eu fiz a Fuvest… Maldita ansiedade!

Apesar de tudo, não me sinto derrotada. Olhando para trás – as escolas em que estudei, os professores que tive (e também os que eu não tive) -, conquistei muito estudando por conta própria. Eu não pensava em vestibular até terminar o 3º ano do ensino médio. Com tanta gente me falando que era impossível, eu acabava acreditando. Mas atingi um bom nível nas redações, no inglês (que estudo há cinco anos), e nas ciências humanas. De certa forma, venci a autoexclusão.

Resta-me esperar os resultados do Enem e da Fuvest, descansar um pouco para, enfim, voltar à luta novamente. Termino este post com um poema do Ferreira Gullar que leio desde 2009, quando prestava vestibular pela primeira vez:

Roberto Parreiras
desapareceu de casa.
Trajava calças cinza e camisa branca
e tinha dezesseis anos.
Parecia com o teu filho, teu irmão,
teu sobrinho, parecia
com o filho do vizinho
mas não era. Era Paulo
Roberto Parreiras
que não passou no vestibular.

Recebeu a notícia quinta-feira à tarde,
ficou tarde
e sumiu.
De vergonha? de raiva?
Paulo Roberto estudou
dura duramente
durante os últimos meses.
Deixou de lado os discos,
o cinema,
até a namoradinha ficou dias sem vê-lo.
Nem soube do carnaval.
Se ele fez bem ou mal
não sei: queria
passar no vestibular.
Não passou. Não basta
estudar?

Paulo Roberto Parreiras
a quem nunca vi mais gordo,
onde quer que você esteja
fique certo
de que estamos de seu lado.
Sei que isso é muito pouco
Para quem estudou tanto
e não foi classificado (pois não há mais
excedentes), mas
é o que lhe posso oferecer: minha palavra
de amigo
desconhecido.
Nesta mesma quinta-feira
Em Nova York morreu
um menino de treze anos que tomava entorpecentes.
Em S. Paulo, outro garoto
foi preso roubando um carro.
ou surgem como cometas ardendo em sangue, nestas noites,
nestas tardes,
nestes dias amargos.

Não sei pra onde você foi
nem o que pretende fazer
bem posso dizer que volte
para casa,
estude (mais?) e tente outra vez.
Não tenho nenhum poder,
nada posso assegurar.
Tudo que posso dizer-lhe
é que a gente não foge
da vida,
é que não adianta fugir.
Nem adianta endoidar.
é que você tem o direito de estudar.
É justa a sua revolta:
seu outro vestibular.

Bianca estudou por conta própria para entrar em Letras

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