Feira livre: a festa do livro da USP

Estadão

01 Dezembro 2010 | 09h56

Bancadas lado a lado, gente falando alto, pessoas andando com várias sacolas e preços “de banana”. Esse ambiente, com certeza, remete a uma feira livre. Porém, era quase isso, trata-se da 12ª Festa do Livro da USP, que ocorreu nos últimos dias 24, 25 e 26 de novembro.
Nesse evento, 133 editoras expuseram seus livros no saguão do prédio da História e Geografia. Porém, a curiosidade é que os livros eram colocados à venda com um desconto de, no mínimo, 50%. Isso mesmo, não podia haver desconto menor que 50% na Festa do Livro da USP.

Festa ou feira?
Os três dias da Festa estavam lotados, já que o evento é aberto a todos, mesmo os não alunos da USP. Muitas pessoas saíam do local dizendo “fiz a festa” ou ainda “fiz a feira”, e de fato era comum vê-los com sacolas com oito ou dez livros nas mãos. Havia ainda casos mais extremos em que pessoas gastavam R$ 850,00 ou mais e brincavam com os vendedores: “em quantas mil vezes dá pra parcelar?”, “poxa, eu economizo o ano inteiro só pra vir gastar aqui!”.

Shakespeare ou Garfield?

A gama de livros era muito grande. Havia desde livros infantis, inclusive os de Monteiro Lobato que quase passaram pelo Index Librorum Proibitorum do MEC, até livros de filosofia, política, futebol, quadrinhos, semiótica e engenharia. Os clássicos e as coleções também estavam presentes, bem como os best sellers do tipo “1822” de Laurentino Gomes. A bancada dos livros de bolso também era uma das mais movimentadas, com o público afoito se empurrando para tentar ler os preços que estavam em média de R$ 4,00 a R$ 8,00, para livros de Shakespeare, Machado de Assis, Eça de Queirós e quadrinhos do Garfield, Angeli e Turma da Mônica.

Tudo vale à pena
Não resisti e também entrei na loucura pelos livros. Participei em apenas um dos dias da Festa e dei pelo menos umas três voltas pelas bancadas para decidir o que comprar e ainda saí de lá arrependido por não ter pego mais outros dois livros que só fui lembrar depois.
Como estou no 1º ano da jornada uspiana, tinha uma noção, mas não conhecia a dimensão dessa Festa, por isso nem acabei informando aqui no blog sobre o evento. Deixo a dica, então, para que no ano que vem os leitores façam a “feira” ou a “festa” lá, que sempre ocorre à essa época. Diante do pessimismo de vários com o possível desaparecimento dessa plataforma, esse evento me reacendeu a esperança de que a leitura ainda faz parte da cesta básica de muita gente.

Leandro é aluno do 1º ano de Jornalismo da ECA-USP

Mais conteúdo sobre:

feiralivroUSP