Esqueceram a educação

Estadão

21 Outubro 2010 | 08h01

No primeiro turno das eleições, a educação – junto com a saúde e a segurança – ocupava destaque entre os temas mais abordados. Agora, no segundo turno (e com as velhas promessas de sempre), o tema em questão é traduzido em dados – alguns duvidosos – que só aparecem nos debates como forma de “enfeitar” gestões passadas. Porém, não precisa ser estudante para conhecer a realidade: a prova do Enem é mal estruturada e as escolas públicas do estado de São Paulo não são “referências de ensino para o país”.

Mas o maior problema está por vir. Questões primárias, como a qualidade do ensino público, estão dando lugar a temas sensacionalistas que envolvem calorosos debates envolvendo padres, pastores e afins. Ou seja, além de esquecer o princípio básico do laicismo do Estado, a população também é levada a refletir sobre assuntos que não passam de um segmento populista das propagandas eleitoreiras.

Ora, como podemos discutir assuntos complexos, como a legalização do aborto e da maconha, se nem sequer temos educação de qualidade? Como é possível discutir tais temas, se ainda temos analfabetos, crianças fora da escola, cidades sem biblioteca?

Do que mais se precisa? Que os problemas gerados pelo nosso péssimo sistema educacional tornam-se mais visíveis? E não estão? A violência não é uma delas?


Espero que as minhas perguntas não ecoem no departamento oficial do descaso.

Bianca estuda por conta própria para entrar em Letras

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