Empresas e pesquisa

Estadão

22 Fevereiro 2012 | 22h50

A relação entre empresas e centros de pesquisa no Brasil ainda é muito incipiente. Isso se deve a diversos fatores, como falta de capacitação dos formandos, falta de incentivo governamental e falta de vontade das universidades. A USP tem trabalhado no sentido de melhorar a relação com as companhias e fazer com que elas invistam em pesquisa aqui, mas isso ainda rende poucos frutos.

As áreas de engenharia e medicina atraem mais interesse das empresas e, muitas vezes, também têm professores que passaram por empresas. Desse modo é mais fácil o contato e a evolução dos investimentos nos laboratórios por companhias privadas. Entretanto, a indústria de biotecnologia, para citar um exemplo, investe pouco em nossos centros de pesquisa.

O IQ tem tentando melhorar essa relação criando o primeiro mestrado profissional da USP. Isso permitirá que pessoas já alocadas em empresas façam um mestrado que mescla uma parte de administração privada com desenvolvimento de conhecimento de ponta. As empresas bancam a bolsa e parte do trabalho do aluno, e o IQ fornece aulas e o ambiente para que se desenvolva a pesquisa desejada pela empresa.

Além disso, alguns laboratórios conseguiram fechar parcerias com empresas para estudar compostos ou soluções para problemas específicos. Nesse caso um técnico (em geral um aluno com mestrado ou doutorado) é pago pela empresa para tentar desenvolver um composto que poderá se desenvolver em um produto ou patente. O problema, neste caso, é que o salário pago chega a ser menor do que uma bolsa de doutorado, dificultando a vida daqueles que gostam da pesquisa mas não gostariam de seguir a carreira docente.


Essa novas iniciativas que começam a aparecer no Brasil já são bem estruturadas no exterior e permitem que alunos de pós tenham mais possibilidades de carreiras que somente a docência. Atualmente os pós-graduandos brasileiros concorrem com igualdade com os estrangeiros por vagas na pesquisa em indústria. Isso indica que só falta um bom incentivo para que as companhias montem no Brasil unidades de pesquisas e que possam surgir aqui empresas inovadoras de biotecnologia, como ocorre no exterior.

Bruno Queliconi é doutorando no Instituto de Química da USP