Dê asas, corda e ritmo à sua imaginação

Estadão

13 Dezembro 2010 | 07h58

Seu trabalho deve estar pronto antes do pôr-do-sol. São duas horas da tarde e você não conseguiu desenhar mais do que dez linhas. Encara seu computador e digita freneticamente frases desconexas, sente o tapinha nos ombros vindo do chefe como um golpe desferido por Rocky Balboa. Definitivamente, suas idéias são muito mais apresentáveis quando estão vagando pela sua mente do que marretadas no papel. Bem vindo ao clube do bloqueio!

Bem, especialistas recomendariam uma pausa para o cafezinho, uma voltinha pela empresa ou uma espiada na sua conta em alguma rede social… só o processo de produção. Mas, onde a gente coloca o constrangimento gerado por olhares ferinos do resto do departamento? Ou do professor? Ou da mãe? Todos nos acharão folgados viventes do mundo da lua!

Desde a primeira infância, esse tempo para pensar é encarado como desperdício, preguiça ou dificuldade de concentração. E, invariavelmente, isso se reflete em nossos comportamentos adultos. A boa notícia é que não precisamos mais carregar nossas palmatórias nos bolsos (êba). Graças a pessoas como Domenico de Masi, o autor da teoria do ócio criativo propõe que o sucesso pertence a quem souber libertar-se da ideia tradicional do trabalho como obrigação e for capaz de mesclar atividades, como o trabalho, diversão, o tempo livre e
o estudo.

Outro aspecto que deve gerar bastante desconforto por aí é o hábito de ouvir músicas durante períodos de estudo e criação. Para isso, tenho uma citação do pianista Robert Jourdain: a música nos tira de nossos hábitos mentais congelados e faz nossas mentes se movimentarem como habitualmente não são capazes. Quando somos envolvidos por música bem escrita, temos uma compreensão que supera a da nossa existência mundana e, em geral, está além da lembrança. Quando o som cessa, voltamos para nossas cadeiras de rodas mentais.

Portanto, o fundamental é manter SUA mente no SEU ritmo, sem preocupar-se com as críticas de quem ainda não desenvolveu o próprio processo de trabalho. Ah, ninguém é obrigado a gostar das suas músicas, então, cuidado com o volume!

Mariana é enfermeira e pós-graduanda da USP

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