Concurso para professor

Estadão

08 Fevereiro 2012 | 08h00

Nesta semana está ocorrendo concurso para professor aqui no IQ. Concursos como esse são públicos (assim como qualificações e defesas de tese), então qualquer pessoa pode ver as apresentações e acompanhar todas as partes da seleção. Isso tem como objetivo primário tornar o processo o menos tendencioso possível.

Eu fui acompanhar uma das etapas: a apresentação do projeto de pesquisa e arguição sobre o memorial. Em resumo, se você quer ser professor em uma universidade pública, é esperado que você tenha um projeto de pesquisa próprio e interessante para a instituição. O memorial é um documento onde você conta um pouco sobre a sua história – um pouco da pessoal e toda a escolar – e serve para que a banca conheça um pouco o que te levou à universidade, o que te levou à pós, e por que você fez cada escolha. Você somente seguiu o rio da vida, ou tomou decisões próprias e liderou todos os seus passos?

A maior parte das perguntas que vi foram sobre a carreira científica e sobre o projeto de pesquisa. Uma pergunta específica me chamou muita atenção. Perguntaram o que o candidato achava do modelo do concurso e qual é a missão de um professor em um instituto de liderança como o IQ. É uma pergunta capciosa, por assim dizer. Como é um tema polêmico, seria esperado uma resposta criticando o sistema, mas criticar o modo de escolha do departamento para a seleção de professor pode causar problemas.

Agora sobre a missão do professor. É sempre esperado que ele desenvolva uma pesquisa de ponta, e pouco se espera da parte educacional. Isso é um faca de dois gumes: grandes pesquisadores nem sempre são bons educadores. Aí fica sempre a questão sobre o que seria melhor para evoluirmos a instituição: fortalecer a pesquisa ou fortalecer o ensino ? Algo que eu acho realmente difícil de responder.


Bruno Queliconi é doutorando no Instituto de Química da USP