Como falar de ‘fim de ano’ sem usar clichês?!

Estadão

23 Dezembro 2010 | 01h09

Nunca gostei de frases feitas. Nos cartões de aniversário, procuro sempre evitar o tradicional “Feliz Aniversário! Muitas felicidades e que Deus te abençoe!”. Já que todo mundo usa essas frases repetidamente, na minha opinião, soa frio e automático, revelando muitas vezes um descuido e até mesmo uma desatenção à pessoa que as recebe.

Agora, no fim do ano, já às vésperas das comemorações de Natal e Ano Novo, vou tentar de tudo para fazer um texto que não se resuma aos típicos “Feliz Natal, Próspero Ano Novo e Boas Festas”, que as pessoas até tentam variar um pouco, comprando aqueles cartões que dizem essas mesmas frases em mais de um idioma (com certeza, você já recebeu um, não?!).

Para tanto, vou incluir aqui um breve texto de Eduardo Galeano, em seu Livro dos Abraços:

“Diego não conhecia o mar. O pai (…) levou-o para que descobrisse o mar. Viajaram para o Sul. Ele, o mar, estava do outro lado das dunas altas, esperando. Quando o menino e o pai enfim alcançaram aquelas alturas de areia, depois de muito caminhar, o mar estava na frente de seus olhos. E foi tanta a imensidão do mar, e tanto seu fulgor, que o menino ficou mudo de beleza. E quando finalmente conseguiu falar, tremendo, gaguejando, pediu ao pai: – Me ajuda a olhar!”

Diante de um novo ano que está a alguns dias de começar, seria interessante se pensássemos nele como um imenso mar que está à nossa frente (e ele mesmo é tão grande, afinal tem 365 dias, com 24 horas cada um). Talvez, como muitos “Diegos”, estamos mirando-o sem conseguir falar, tremendo e gaguejando. Por isso, num momento como esse, mais do que um desejo de “Próspero Ano Novo” esperando distante e friamente que os outros consigam tudo por si só, penso que um pedido de “me ajuda a olhar” coletivo soaria mais sincero e verdadeiro.

Meu desejo é que as “boas festas” que estão por vir realmente sejam boas e divertidas e promovam esse tipo de reflexão tão cara num mundo povoado de frases feitas.

Leandro é aluno do 1º ano de Jornalismo da ECA-USP