Coincidências da vida…

Estadão

11 Outubro 2010 | 08h00

Eu estava lendo um livro que achei aqui em casa, aparentemente sem dono, sentei-me no sofá, joguei o livro para o outro lado e alcancei o controle remoto. Uma página do último capítulo se abriu, dei uma olhadinha, mas em seguida me perdi entre os programas da televisão. Eu estava tentanto me distrair com alguma coisa, até que a hora da minha entrevista chegasse. Sim, eu tinha uma entrevista marcada, finalmente!

Pronta para sair e ensaiando possíveis respostas para a entrevista, lembrei que ainda não havia impresso meu currículo e, só pra ajudar, não fazia a mínima ideia de onde estava meu pen drive. Durante a busca, revirei as almofadas do sofá e quem estava lá? O livro! E outra vez a mesma pagina. Eu que não sou lá muito supersticiosa, resolvi ler o texto da página 135 que insistia em aparecer. Só por curiosidade.

O texto era sobre a trajetória pessoal e profissional de Mário Grieco – presidente da Bristol-Myers Squibb Brasil, começando com a peculiar infância e chegando até a Presidência da Bristol. Mário teve que atravessar muitas situações interessantes e, lendo tudo aquilo, senti uma certa empatia pela narrativa do autor. Ele relata sua experiência na busca de seu primeiro emprego.

Recém-formado, disputou uma vaga com outros dois profissionais muito bem qualificados e anos-luz mais experientes que ele. Ele teve um diálogo com o diretor da empresa que foi mais ou menos assim:


– Então, Mário, por que eu haveria de contratá-lo se todos os outros candidatos têm mais experiência que você?
– O senhor gosta de carro?
– Sim, eu gosto.
– Se o senhor pudesse escolher entre um carro novo e um usado, qual escolheria?
– O novo, é claro.
– Pois então, é por isso que o senhor deve me contratar. Eu sou 0 km nesse mercado, não tenho vícios, não vou quebrar fácil e o senhor dificilmente terá que me trocar em pouco tempo.

Um doce que pra quem acertar qual dos três foi contratado.

Pensando bem, ensaiar possíveis respostas é inútil diante da criatividade e espontaneidade na hora de uma entrevista. Então, achei o pen drive, imprimi o currículo, aumentei o som e, inspirada, segui para a entrevista. Só falta saber se fui tão criativa quanto o Mário.

Mariana é enfermeira e pós-graduanda da USP

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