Ciência e política

Estadão

14 Setembro 2011 | 08h00

Em qualquer profissão, para você se tornar importante e conseguir um emprego, as pessoas e as empresas precisam conhecer você. Aí entramos na política. Em todos os campos precisamos fazer política, e isso inclui a ciência. No Brasil, temos uma má imagem da palavra “política” porque ela está usualmente ligada à corrupção, mas na essência não deveria ser assim. Deveríamos relacionar essa palavra à administração e à organização de pessoas (e suas relações) e do Estado.

Nesta semana vou visitar um laboratório na Universidade de Stanford. Serão 6 horas de avião a partir de Rochester até São Francisco, e depois mais um pouco até Palo Alto, onde está a universidade (e o Google também!). Lá irei conhecer o laboratório da professora Daria Mochly-Rosen. Vou mostrar o meu trabalho e conhecer o deles.

Isso pode me dar um futuro emprego. Se eu convencê-la de que sou bom o suficiente, posso tentar desenvolver um projeto no laboratório dela (usando uma bolsa-sanduíche do CNPq, por exemplo). No futuro, posso pedir uma bolsa de pós-doutorado.

Com essas visitas e trabalhos em outros lugares, você cria relações que, no futuro, podem frutificar. Se você não acabar nesse laboratório, o pesquisador pode te ajudar com uma carta de recomendação ou te apresentando para outro laboratório com o qual ele tem contato. Então, apesar das 6 horas de viagem, vale a pena visitar um outro bom laboratório.

Bruno Queliconi é doutorando no Instituto de Química da USP

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