As famosas ICs

Estadão

09 Novembro 2011 | 08h00

Praticamente todo aluno de pós-graduação já foi um IC, e alunos que ainda estão cursando a graduação já iniciam os primeiros passos dentro de um laboratório. Os alunos de iniciação científica estão presentes na maioria dos laboratórios e são essenciais para uma boa pesquisa.

Os laboratórios ganham com pessoas com uma visão fresca e não-viciada para a linha de pesquisa, pessoas animadas para aprender e alguém mais para ajudar a fazer os experimentos. Os alunos ganham experiências na área científica e conhecimento aprofundado sobre um assunto: em geral dois orientadores, o chefe do laboratório e algum aluno que trabalha diretamente com ele. Eles podem ajudá-lo e aconselhá-lo em diversos assunto. E ainda podem ganhar publicações e uma bolsa como ajuda de custo (fornecidas pela própria universidade ou instituições como a FAPESP  ou o CNPq).

Eu tenho uma aluna de IC sob minha orientação, ela atualmente cursa Medicina, mas trabalha com danos de radicais a células aqui no laboratório. Eu comentei um pouco sobre ela no período em que estive nos EUA, ela continuou alguns experimentos que tínhamos começado. Com isso, ela agora tem dados suficientes para apresentar um trabalho em um congresso interno que temos aqui no Instituto de Química, chamado Alunos na Ciência.

Eu acho esse evento muito interessante, porque é um convite a todos os alunos de graduação para conversar com outros alunos de graduação que trabalham nos laboratórios do IQ para saber como é fazer esse trabalho e saber a opinião de alguém que está no mesmo nível que eles.

Assim, os alunos de graduação podem aprender com seus pares como é trabalhar nessa área. Essa experiência permite aos ICs ter experiências raras nessa fase, como montar e apresentar um pôster, falar em público e defender o seu trabalho com base no seu conhecimento e nos dados do seu trabalho.

A iniciação científica é o primeiro passo para aqueles que almejam seguir a carreira científica, e uma ótima experiência para aqueles que querem conhecer um pouco mais sobre como é trabalhar nesse mundo. Nesse fase, você pode descobrir se quer mesmo trabalhar como pesquisador e saber o que mais te interessa entre todas as possíveis linhas de pesquisa e assim escolher bem uma para fazer uma pós-graduação.

Bruno Queliconi é doutorando no Instituto de Química da USP