Árvore genealógica laboratorial

Estadão

15 Junho 2011 | 10h25

Uma característica interessante da ciência é o fato de que embora seja feita no mundo inteiro é muito comum você conhecer boa parte das pessoas que trabalham na sua área. E isso leva a situações de amizade e reconhecimento, assim como de disputas e inimizades. Com o tempo essas relações originaram “famílias” de pesquisadores. Nessa lógica, vários pesquisadores se acostumaram a desenhar árvores genealógicas, em que seus filhos são os estudantes que passaram por sua orientação, na iniciação científica, no mestrado, no doutorado ou no pós-doutorado. Acima de você estariam os seus ex-orientadores e aqueles que os orientaram representam seus pais e seus avôs.

Dia desses percebi que em muitos blocos aqui do IQ professores montam as sua árvores e as colocam em pôsteres no corredor para mostrar os seus ex-alunos. Pode parecer um pouco de esnobismo, mas eu vejo isso como uma demonstração de carinho e reconhecimento aos seus ex-alunos. O que me deixa com muita vontade de orientar bem os alunos que eu venha a ter, para que eles sempre tenham orgulho de lembrar quem foi o seu orientador.

Eu acho que essas relações são a parte afetiva da ciência, permitindo um relaxamento das necessidades do método científico e faz com que dentro dos laboratórios possamos trabalhar em conjunto, nos ajudando e prezando pelo seu “irmão”. Nos bons laboratórios os alunos têm orgulho do seu orientador e dos seus colegas, tornando o ambiente confortável e extremamente convidativo para se trabalhar!

Como vocês já devem ter percebido, eu sou encantado pela ciência e pelo mundo científico, mas não pensem que exagero nas descrições e colocações. Existem laboratórios que não correspondem a essa descrição, mas se se depararem com um desses fujam! Alguns desses podem até publicar bem, mas não te mostraram a essência colaborativa e genial da ciência que é você reconhecer o próximo e trabalhar com ele.

Por isso, hoje deixo uma dica para os futuros pós-graduandos: procurem saber o clima do laboratório antes de entrar nele. Se o clima de competição for muito acirrado entre os alunos, posso assegurar que você poderá achar um lugar melhor para passar os seus anos de mestrado ou doutorado. Procure a família certa para se juntar, pois assim como uma família de verdade o laboratório em que você se formar terá grande importância para o seu currículo e sua percepção da comunidade científica.

Bruno Queliconi é doutorando no Instituto de Química da USP

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