Arte e educação

Estadão

14 Junho 2011 | 08h26

Recentemente, tive a preciosa e única oportunidade de participar de um projeto de arte contemporânea no Vera Cruz. Os frutos desse trabalho foram de tamanha significado que me incitaram a questionar a respeito do ensino de arte nas escolas brasileiras.

Embora tenha demonstrado avanços desde sua implantação no currículo escolar em 1971, a educação artística ainda sofre grandes preconceitos – muitas vezes é tratada como um apêndice pedagógico em muitas escolas. A arte, presente desde os primórdios na existência do homem, pode ser entendida em si como um processo civilizatório e uma necessidade humana, merecendo tanta importância quanto outras disciplinas do currículo escolar. Afinal, a arte não só refina o olhar e a cultura, como também provoca reflexões e sentimentos, sendo essencial para a formação de um estudante.

No entanto, para ser tratada de acordo com sua relevância, a educação artística deve dialogar diretamente com os outros conteúdos e ser tratada de forma atual, uma vez que está diretamente alinhada com o desenvolvimento de uma sociedade.

Para isso, acesso é o que não falta. Embora o consumo de arte ainda esteja restrito a uma parcela ínfima da população, ela nunca esteve tão difundida como hoje, encontrando-se tanto nas ruas na forma de grafites ou intervenções, como em museus, galerias e centros culturais. Além disso, o Brasil encontra-se cada vez mais rico nesse aspecto, portando núcleos artísticos internacionalmente reconhecidos como Inhotim, em Minas, e importantes mostras culturais nas grandes cidades.

Assim, cabe ao educador mediar a arte e o estudante de forma a desconstruir qualquer tipo de preconceito em torno desse campo da educação e incitá-lo a dar valor àquilo que pode abrir grandes portas na sua formação.

Tomás Millan é aluno do 3.º ano da Escola Vera Cruz

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