Arquitetura e preservação ambiental

Estadão

19 Julho 2011 | 15h32

Acabo de voltar da Amazônia, após uma rotina ao mesmo tempo pesada e maravilhosa de estudos sobre a floresta. Com uma visão sobre sustentabilidade completamente reformulada, creio que, mais do que para o vestibular, essa viagem me ajudou na minha formação como aluno e pessoa.

Agora, se de um lado meu grande envolvimento foi muito frutífero, por outro me colocou uma série de questões a respeito da carreira que irei seguir. É extremamente difícil ser tocado por uma série de ameaças não só à biodiversidade, mas também às muitas comunidades locais e não ter o ímpeto de tentar lutar para resolver esses problemas de forma direta. Desta forma, me pergunto: como a Arquitetura, minha atual escolha, pode conciliar sustentabilidade e desenvolvimento, conceitos muitas vezes antagônicos aos nossos olhos?

Acho que a atuação da arquitetura nesse campo não se restringe, por exemplo, à utilização de materiais reutilizáveis ou ao aproveitamento de formas de energia com mínimo impacto ao meio ambiente. Claro que fatores como esses são importantes, mas ela pode também integrar o ser humano à natureza como nenhuma outra profissão.

E, com minha ida à Amazônia, percebi que a aproximação emotiva com a natureza pode dizer muito mais que números sobre biodiversidade. Por fim, espero que, aos poucos, meus valores e intenções forjem uma escolha cada vez mais decisiva a respeito da carreira que irei seguir. Sendo hoje em dia cada vez mais amplas as áreas de atuação dos profissionais existentes no mercado, sempre resta espaço para a realização de um desejo pessoal, como o meu de lutar pela preservação ambiental.

Tomás Millan é aluno do 3.º ano da Escola Vera Cruz