Estadão - Portal do Estado de S. Paulo

.Edu

Educação » O Fio de Ariadne No. 1

.Edu

Fredric Litto

10 Agosto 2012 | 16h59

Num dos mais importantes estudos analisando o uso de informação (e por extensão, do conhecimento) por seres humanos, James Glieck observa que “formigas espalham seus feromônios na forma de trilhas de informação química; Teseu desenrolou o fio de Ariadne. Agora as pessoas deixam para trás trilhas de papel” (The Information, 2011). Assim, ele demonstra a conexão entre atividades instintivas realizadas por seres invertebrados, passando pelo registro de uma singular “solução de problema”, no limiar da história humana escrita, e termina observando que nossos contemporâneos fazem intercâmbio de tantas informações que, conscientemente ou não, eles não apenas poluem o ambiente e ainda deixam evidências de seus atos, lícitos ou não.

A mitologia grega relata que, sabendo do risco que Teseu corria quando pretendia entrar no labirinto para encontrar e matar o Minotauro, Ariadne deu-lhe um fio mágico que, desenrolado desde o início de sua missão, permitiria seu regresso. Essa lenda tem sido usada amplamente na ciência e nas humanidades como metáfora de pragmatismo e logística (embora, para um chato como eu, umas pedrinhas pudessem servir igualmente bem para marcar o caminho de volta!), em especial quando os interessados nos aspectos atraentes do uso da tecnologia como parte do processo de aprendizagem provêm dos mais variados domínios do conhecimento, cada qual perseguindo o desenvolvimento do seu paradigma. Pretendo começar, dentro do rótulo Rolando na Rede, uma sub-seção, de realização periódica, denominada O Fio de Ariadne, dedicada à apresentação de informações úteis, como eventos, sites e periódicos que venho descobrindo recentemente, anúncio de pesquisas significantes, bem como o aparecimento de novos e relevantes livros, produtos e serviços, já que a área de EduTec é, em si, multifacetada. Sei que muitas informações de destaque estão em inglês, mas não tenho tempo de traduzir tudo para o português (e sinto-me frustrado por isso). Embora seja consenso geral que programas de tradução automática da atualidade são confiáveis, com credibilidade de cerca de apenas 70% das vezes em que são usados, prefiro não recomendar esse caminho. Além de um bom dicionário (on-line ou papel), é possível fazer lições gratuitas de inglês (www.englishtown.com.br), ou um teste da sua competência na língua (www.culturainglesasp.com.br/), ou sugerir que sua instituição adquira um curso on-line para todos os professores e estudantes (www.pearson.com.br). Aqui, em nome da transparência, confesso que sou consultor da Pearson Education para a área de EAD, porque acredito na qualidade das suas publicações e produtos. Então, vamos lá:

 

Portugal e nós


Desde 2010, o governo de Portugal tem desenvolvido um importante portal ligado ao uso das TICs em suas escolas: www.e-escola.pt. Preciso admitir que tenho ouvido falar muito pouco sobre isso no Brasil, mais ou menos como ocorreu com o Projecto Minerva (informática na educação básica) naquele país, no período 1985 a 1994. Como explicar essa “não-atração” de dois corpos que deveriam se atrair, Brasil e Portugal? Não sei. Mas, há três meses o Banco Mundial publicou um artigo interessante (sim, em inglês) comparando os esforços de Portugal e do Uruguay nessa área de TICS no ensino básico. É bastante informativo sobre abordagens diversificadas baseadas em realidades sociopolíticoas e econômicas diferentes. Vale a pena ler. Talvez nos ajude a entender nossa própria realidade. http://blogs.worldbank.org/edutech/portugal

 

Novos livros


– Educação On-line. Conceitos, metodologias, ferramentas e aplicações. João Batista Bottentuit Júnior e Clara Pereira Coutinho, orgs. (Curitiba: Editora CRV, 2012; 225p.).

Vinte e cinco autores do Brasil e de Portugal oferecem quatorze capítulos sobre uma variedade de assuntos, como as competências do “E-formador”, Webquests, gestão política, avaliação do estudante, podcasts, jogos e usabilidade, entre outros recursos. Uma das grandes virtudes do volume é a riquíssima bibliografia distribuída entre as referências dos capítulos, citando estudos internacionais dificilmente utilizados na literatura científica brasileira de EAD.

– Educação e Tecnologia na Universidade. Concepções e Práticas. Adriana Azevedo, Fabio Josgrilberg e Francisco Lima, orgs. (São Bernardo do Campo: Universidade Metodista de São Paulo, 2012; 199p.). Onze capítulos por dezessete educadores e profissionais de EAD da UMESP, que atualmente tem 12.000 estudantes a distância. Divididos em três eixos básicos (pedagógico, técnico e gerencial), os capítulos oferecem uma visão focalizada nas experiências em EAD da instituição, incluindo questões de acessibilidade, auditoria de polos e autoavaliação institucional.

 

Provocando sem pesquisar


Embora prefira ouvir ou ler opiniões baseadas em pesquisa qualitativa ou quantitativa, preciso admitir que de vez em quando surgem ensaios longos ou curtos que nos obrigam a refletir sobre nossas próprias práticas diárias. Esse foi o caso quando li o blog do Michael Trucano, responsável pela área de tecnologia educacional no Banco Mundial, intitulado “Ten things about computer use in schools that you don´t want to hear (but I´ll say them anyway” (Dez coisas sobre o uso de computadores em escolas que você não quer ouvir (mas falarei delas de qualquer forma) http://blogs.worldbank.org/edutech/10-things . Os dez pontos que ele identifica e defende brevemente são: 1. O uso de laboratórios de computadores representa perda de tempo; 2. Aulas de alfabetização digital são uma má ideia; 3. Não espere que os resultados em testes nacionais melhorem; 4. Aquilo que os estudantes fazem com a tecnologia fora da sala de aula é mais importante do que o que fazem dentro; 5. Cidadania digital e segurança para os jovens virão a ser uma parte importante daquilo que as escolas ensinarão; 6. Em sua maior parte, as crianças não são “nativos digitais”; 7. Você nunca conseguirá manter sua instituição “atualizada”, porque inovações tecnológicas sempre estarão bem à frente da sua capacidade de inovar no lado político; 8. A desonestidade acadêmica provavelmente vai aumentar; 9. Gostando ou não, celulares (e outros dispositivos móveis, como tablets), estão chegando—e rapidamente; 10. ________ (ele deixa esse espaço para o leitor completar com suas próprias observações a propósito da “sabedoria convencional” sobre ICT em educação, que “bem poderia ser contestada”.

 

Apoio Desinteressado


Para um ótimo exemplo de como um alto executivo e formador de opinião entendeu solidamente a força da EAD e da sua proposta de aprendizagem aberta, não deixe de ler: Nizan Guanaes, “Harvard para as massas”, publicado em 24 de julho de 2012.

www1.folha.uol.com.br/…/1124844-harvard-para-as-massas.shtml

 

Congresso Internacional

A Associação Brasileira de Educação a Distância-ABED realizará seu 18o Congresso Internacional de EAD, de 23 a 26 de setembro de 2012, no novo Centro de Convenções do Campus da Universidade Federal do Maranhão, em São Luís. Os palestrantes principais já confirmados são:

Alan W. Tait, Open University, Inglaterra – “Os imperativos e os desafios da pós-graduação utilizando a educação a distância e o e-learning”

Antonio Cesar Russo Callegari, Secretário de Educação Básica/MEC, Brasil – “Perspectivas para o uso de EAD na Educação Básica”

Mohamed Ally, Athabasca University, Canadá – “M-Learning – Utilização das tecnologias emergentes na educação a distância para aumentar o acesso à educação”
Xu Zhiying, Shanghai TV University, China – “Inovação e pesquisa na plataforma de suporte ao estudante em educação aberta”

João Carlos Teatini de Souza Climaco, CAPES/MEC, Brasil

Ormond Simpson, Open University, Inglaterra – “Teorias da educação a distância – motivando os estudantes a aprender”

Carlos Eduardo Bielschowsky, Centro de Ciências e Educação Superior a Distância do Estado do Rio de Janeiro, Brasil

Paulo Guilherme Domingos Ferreira Simões, Força Aérea de Portugal –
“Ambientes pessoais de aprendizagem”

Ryon Braga, Grupo Hoper, Brasil – “O impacto das metodologias da EAD na reconfiguração do ensino presencial”

Alex Sandro Gomes, Universidade Federal de Pernambuco, Brasil – “Software livre e a EAD”

Barry Sponder – Central Connecticut State University, EUA – “Creativity and Distance Learning”

Além de: Donald Peterson, Inglaterra; Gonzalo Mendieta, Universidade de San Francisco, de Quito, Equador; Ileana María Alfonso, Cuba; Ronaldo Mota, Inglaterra/Brasil; Vicki Goodwin, Inglaterra; Filipe Amaral José Amone, African Distance & E-Learning Network, Moçambique; M. Kojima da Univesidade Aberta do Japão.

As atividades: Sessão de abertura com show cultural do boi-bumbá e tambor de crioula e shows de música (reggae, rock e outros); Coquetel de confraternização – 23 de setembro; Festa de confraternização – 25 de setembro; Montagem da Expo-EAD exposição de produtos e serviços para EAD (+40 estandes); Lançamento de livros; Mesas redondas; Minicursos; Encontros estratégicos: universidades corporativas, professores e tutores para EAD, fornecedores de produtos e serviços para EAD, Diálogo com o MEC; Encontro dos movimentos da EAD (abe-ead, anated, frente parlamentar …); Apresentação dos resultados do CensoEAD.br2011; Apresentação da Revista Brasileira de Aprendizagem Aberta e a Distância da ABED; Apresentação do projeto competências profissionais em EAD da ABED.
Todos os inscritos receberão um exemplar do CensoEAD.br2011.

As inscrições estão aberta no site http://www.abed.org.br/congresso2012. O 18° CIAED é 100% presencial, carga horária 40 horas; minicursos 6 horas cada.

Qualis (Capes) B N ISSN 2175-4098.

Até a próxima!

Encontrou algum erro? Entre em contato