Educação Aberta e Flexível, um caminho sem volta
As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Educação Aberta e Flexível, um caminho sem volta

Fredric Litto

12 Dezembro 2017 | 13h11

 

Postagem de Convidado: Luciano Sathler*

 

A Educação a Distância (EaD) é um fenômeno alinhado à luta por uma sociedade mais justa e menos desigual, onde o maior número possível de pessoas possa estudar e ampliar o leque de oportunidades para avançar na vida.

A EaD leva a novas práticas que vão ao encontro da aprendizagem em um mundo saturado de informação. O que é criado, replicado, alterado e divulgado hoje nos meios de comunicação massivos e na internet chegou a níveis inéditos em termos de quantidade, velocidade e variedade.

Essa realidade afeta a percepção humana, que não lida bem com a linearidade estabelecida por currículos que não valorizam a personalização das relações de ensino-aprendizagem e não incorporam as possibilidades trazidas pelas Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC)

Em sua atual fase, a EaD também pode colaborar com o desenvolvimento das chamadas competências digitais, essenciais para promover a capacidade de utilizar as TIC de maneira crítica, criativa, autônoma e sem se enredar nas mentiras ou cair na manipulação.

Apesar de a EaD ser praticada há séculos em várias parte do mundo, salta aos olhos o seu crescimento no Brasil em anos recentes. O número de matrículas em cursos de graduação a distância aproximou-se de 1,5 milhão, em 2016, o que correspondia a 18,6% dos oito milhões de universitários no país.

De acordo com a pesquisa TIC Domicílios 2016, realizada pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), mais de dezesseis milhões de pessoas participaram de cursos a distância naquele ano. Os resultados demonstram também que cerca de 80 milhões de brasileiros realizou atividades ou pesquisas escolares e 72 milhões estudaram por conta própria utilizando a internet.

A Associação Brasileira de Educação a Distância (ABED) verificou, em seu censo de 2016, o montante de 2,9 milhões de alunos que participaram de cursos livres corporativos e não corporativos. Trata-se de uma análise qualitativa mais aprofundada sobre a EaD, que se encontra disponível gratuitamente online.

Há uma nítida convergência entre o crescimento da EaD e a disseminação TIC. Temos mais computadores, tablets, celulares, usuários, maior acesso à banda larga e volume exponencialmente crescente de informação disponível no universo digital. Redução nos preços de hardwares e softwares, aumento na capacidade de processamento e memória, nas nuvens ou em máquinas domésticas e no trabalho.

Aproxima-se a “digitalização de tudo”, que aumenta o potencial de indivíduos e organizações que saibam se inserir nesse universo. Ao mesmo tempo, há uma série de impactos negativos e riscos de desigualdades ainda maiores que levem à concentração de poder militar, econômico, político e simbólico.

Há novas profissões surgindo e previsões alarmistas sobre o desaparecimento de muitas outras ocupações, a serem eliminadas ou substituídas pela automação. Também cresce a quantidade de empregos e trabalhos que exigem mais competências e habilidades digitais, especialmente devido a grandes mudanças nas profissões existentes, que incorporam as TIC em seu cotidiano.

Nos países empobrecidos – eufemisticamente chamados ‘em desenvolvimento’ – aumenta a demanda por Educação Superior de boa qualidade e mais acessível. As salas de aula são cada vez mais frequentadas por estudantes com um novo perfil, ou seja: idade maior que 25 anos, primeiro da família a frequentar uma universidade, trabalhador de tempo integral, que sustenta dependentes econômicos e não completou o Ensino Médio na idade considerada normal.

Pelas próprias condições de vida, esses estudantes tendem a preferir mais possibilidades de aprendizagem a distância, especialmente mediadas online. Também as novas gerações, que cresceram em contato com tablets e celulares, não suportam mais as aulas exclusivamente no modelo tradicional. Observa-se que os cursos presenciais passam a incluir metodologias EaD em suas práticas didático-pedagógicas, numa tendência chamada ‘educação híbrida’.

Em breve, será difícil identificar a modalidade de uma oferta educacional, pois em todo caso as TIC permitirão maior flexibilidade de tempo e espaço nos quais os alunos vão estudar e interagir.

A tendência é a educação aberta e flexível, com uma presença permanente na vida das pessoas, pois ninguém mais pode deixar de estudar.

A EaD ainda faz levantar a sobrancelha dos mais céticos. Porém, ao longo de seus 24 anos de existência, a ABED constata que a qualidade dos cursos está diretamente relacionada à qualidade da instituição ofertante. Isso vale para o ensino presencial e a distância.

Esse alinhamento se confirma pelos resultados do Enade, exame que é aplicado igualmente para alunos de cursos de Graduação a distância e presenciais.

Apresentamos, a seguir, uma figura que ilustra, de forma sintética, o que é ser bem-sucedido na EaD e quais os fatores que influenciam o maior ou menor sucesso em um curso a distância.

A educação de qualidade é a tarefa principal e primordial para qualquer governante ou, simplesmente, cidadão. A EaD permite alcançar novos patamares educacionais com escalabilidade e maior agilidade.

 

* Luciano Sathler é Diretor da Associação Brasileira de Educação a Distância e Reitor do Centro Universitário Metodista Izabela Hendrix.