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PISA – Quem estamos querendo convencer?

Roberto Lobo

12 Dezembro 2013 | 11h26

Foram noticiados grandes progressos na educação brasileira tomando por base o box sobre o Brasil publicado no relatório PISA 2012 da OECD. Principalmente na matemática, esses progressos foram louvados pelos autores do relatório da OECD.

Fiquei matutando porque não teria havido o mesmo progresso em Linguagem e Ciências. Seria um efeito da Olimpíada de Matemática que estimula professores a colocarem seus estudantes nessa competição e os motiva reciprocamente?

Até que ponto um país que vai bem no PISA é inovador? Todo o mundo sabe que o bom aluno nem sempre é um empreendedor e vice-versa. Uma boa educação pode ser condição necessária, mas não é suficiente. Países como os Estados Unidos e a Suécia não foram especialmente bem sucedidos no PISA 2012, mas possuem índices de inovação surpreendentes no Global Innovation Index 2012.

Enquanto divagava sobre o assunto, comecei e receber textos do blog do Simon Schwartzman e as matérias na imprensa referentes ao último PISA e, de repente, mudou o meu foco na questão.


Primeiro, porque os comentários da OECD no box do PISA se baseiam, em grande parte, em estudos do INEP, órgão governamental e, portanto, interessado em valorizar o sucesso do Governo na educação. Não é um relatório de todo inofensivo e, infelizmente, não parece retratar,com a isenção desejável,a nossa realidade educacional.

Há várias razões para se concluir que nossos progressos no exame PISA devem ser avaliados com mais cautela.

ü  O Brasil ocupava a 53ª posição em 2009 e agora, 2012, passou à 56ª posição geral.

ü  Em Matemática nossa nota em 2009 foi 82% da média dos participantes, em 2012 também. Em 2006 ela foi mais próxima da média, 85%. Será que estamos melhorando mesmo?

Houve, de fato, uma apreciável melhoria em relação ao resultado de 2003 quando o Brasil ficou em 40º lugar, último lugar na prova de Matemática, com nota 73% da média. Quando comparada com os mesmos países em 2003 e 2012 o Brasil ultrapassou 2, Indonésia e Tunísia (ficaríamos em 38º lugar), e evoluiu em relação à média destes países na prova de Matemática de 73% para 80%.

Por que ainda não dá para comemorar? Porque em 2012, Brasil e Singapura elevaram significativamente a porcentagem de estudantes das séries mais avançadas no exame. Isso só aconteceu com os dois países(e não foi necessariamente feito com segundas intenções, mas ocorreu). Essa mudança, por si só, já nos deveria ter colocado em situação bem melhor em relação aos anos anteriores, o que na verdade não se verificou.

Como se pode ler na excelente cobertura sobre a matéria pelo Estadão, o presidente do Instituto Alfa e Beto (IAB), João Batista Oliveira, por exemplo, critica a amostragem de alunos avaliada, por não refletir a realidade do País. “As diferenças de série são muito grandes e há muita distorção idade/série.”

Passamos de 38% para 80% de alunos brasileiros das últimas três séries do ensino básico participando do PISA e nosso resultado praticamente não mudou. Como concluir que houve tanta melhoria na educação?

De fato, a melhoria mais significativa dos resultados brasileiros, no PISA, ocorreu na primeira metade da década de 2000.

Outros indicadores educacionais são também preocupantes. As taxas de evasão no ensino médio continuam alarmantes. Temos um milhão a menos de matrículas do que tínhamos em 2003 e graduamos menos nesse nível de ensino do que há 10 anos.

Precisamos ter claro quea educação brasileira não vai bem!Encarar a realidade de frente é sempre melhor. Os meios de comunicação, os especialistas e os exames em geral têm nos mostrado uma realidade muito diferente do otimismo oficial.

Falsos diagnósticos levam a terapias erradas. Vamos analisar com isençãoos dados, olhar de frente a realidade para podermos buscar soluções erealmente melhorar?