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Mais sobre rankings: a qualidade de uma universidade não é só a Pesquisa

Redação Estadão.edu

30 Maio 2014 | 23h16

Os rankings sobre universidades de abrangência internacional são entendidos como uma avaliação da qualidade relativa dessas instituições. Os rankings focalizam quase que exclusivamente o volume das pesquisas publicadas em revistas indexadas, o impacto destas pesquisas refletido no número de citações e na importância das revistas onde os artigos foram publicados e na cooperação científica internacional.

Os rankings acabam por ter uma importância maior do que a devida por serem amplamente divulgados na imprensa internacional e passam a ser um elemento de avaliação do sucesso institucional, um orgulho nacional e um elemento de marketing para a atração de alunos e professores de todo o mundo. A pressão pela publicação a qualquer preço é a consequência natural dessa situação.

No entanto, a qualidade de uma universidade não pode ser identificada somente com sua pesquisa, uma vez que há outros componentes importantes nas missões das instituições de ensino superior, como o ensino, a extensão, a cooperação com governos e empresas, o sucesso profissional de seus egressos, entre outros parâmetros.

Se a pesquisa for o único foco da universidade, certamente ela se desenvolverá à custa da qualidade do ensino, em especial, de graduação principalmente. Há outros efeitos perversos dessa busca a qualquer preço de algumas colocações nos rankings internacionais.

Em um importante artigo patrocinado pela Royal Academy of Engineering da Inglaterra e do Massachusetts Institute of Technology, dos EUA, “Achieving Excellence in Engineering Education”, a pesquisadora Ruth Graham estudou dezenas de universidades que modernizaram, ou tentaram modernizar, o ensino da engenharia, em diversos países do mundo. Nesse artigo há um parágrafo específico sobre a influência dos rankings na organização e prioridades dos departamentos responsáveis pela formação dos futuros engenheiros.

Segundo ela, “está se criando uma obsessão pelos rankings, embora eles só meçam a produção científica. Esse fenômeno está gerando uma cultura de medo entre professores que, sob o risco de perderem seus fundos de pesquisa, preferem reduzir o tempo dedicado ao ensino. Além disso, o aumento da pressão pela produção de pesquisas parece ter sido um fator importante na redução que se observa do número de professores com real experiência nas indústrias, que deixam de trazer para a universidade o conhecimento de como elas realmente funcionam e experiências profissionais concretas.”

Essas palavras devem ser levadas em conta em todas as áreas, não só na engenharia, nas definições das prioridades institucionais. O equilíbrio no crescimento entre as diferentes atividades é o mais sustentável no longo prazo.

Isso não significa que a pesquisa de qualidade não seja indispensável para uma boa universidade, mas ela deve ser permanentemente buscada dentro de uma política equilibrada de gestão. Todo processo de avaliação limitado a poucos parâmetros, se tomado como verdade absoluta, é como o cachimbo: entorta a boca.