Em 2013, Brasil tem mais dez universidades de pesquisa ‘extensiva’
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Em 2013, Brasil tem mais dez universidades de pesquisa ‘extensiva’

Redação Estadão.edu

20 Dezembro 2014 | 13h14

Tenho recebido vários pedidos para atualizar a lista das universidades de pesquisa no Brasil segundo os critérios da Carnegie Foundation, que iniciei em 1998. Reproduzimos o artigo de 2004, que atualizamos em 2008 e reatualizamos agora, com dados de 2013.

Trecho do texto publicado originalmente em 2004 e atualizado para 2008.

É muito importante que uma parcela das instituições de ensino superior tenha a pesquisa como seu principal foco.

Nem todas as Instituições de Ensino Superior (IES) são universidades. Nem todas as Universidades são universidade de pesquisa. Nem toda universidade de pesquisa a realiza de forma intensa. Essa é a classificação de instituições de ensino superior feita pela Carnegie Foundation for the Advancement of Teaching, fundação americana muito conceituada e que é utilizada pelas estatísticas oficiais sobre o ensino americano do National Center for Education Statistics.
As universidades que realizam a pesquisa de forma mais abrangente, na classificação da fundação americana, são denominadas Extensive Research Universities, onde, em 2000, se situavam 151 instituições, sendo 102 públicas e 49 privadas sem fins lucrativos.

Laboratório de Pesquisa da Poli-USP /NILTON FUKUDA - ESTADÃO

Laboratório de Pesquisa da Poli-USP /NILTON FUKUDA – ESTADÃO

Para atingir o status máximo de “Universidade de Pesquisa Extensiva” (entendida como uma instituição que, além de realizar a pesquisa intensa, a transborda/transfere, também intensamente, por meio de sua produção e formação de recursos humanos no doutoramento) a IES tem que demonstrar, por critérios concretos e quantitativos, que realiza pesquisa científica como foco fundamental e muito bem desenvolvido, apresentando, pelo menos, quinze programas de doutorado e realizar ao menos 50 defesas de tese por ano nesses programas.

Utilizando os mesmos critérios da Carnegie Foundation for the Advancement of Teaching e os dados gentilmente fornecidos pela Capes, foi possível identificar as Instituições de Ensino Superior Brasileiro que preencheriam os pré-requisitos da fundação americana. Fizemos este levantamento em dois momentos, a partir dos cursos reconhecidos e avaliados como satisfatórios pela Capes (nota igual ou maior a 3), compreendendo os resultados separados por cinco anos, de 1998 e de 2003.

Além do número de “Universidades de Pesquisa Extensiva” ter crescido de 1998 para 2003, houve uma nítida descentralização geográfica desse tipo de IES. Enquanto em 1998, sete das oito Universidades se situavam na Região Sudeste e uma na Região Sul, em 2003, dez situavam-se na Região Sudeste, a Região Sul passou a ter três representantes, aparecendo a Região Nordeste com duas e a do Centro-Oeste com uma IES. O número de “Universidades de Pesquisa Extensiva” em 2003 reforça o crescimento verificado de mais de 50% da participação brasileira na produção de artigos científicos em revistas indexadas, tendo aproximadamente dobrado o número das publicações científicas e o de doutores formados.

Nos Estados Unidos, as universidades de pesquisa do tipo extensivo correspondem a 3,5% das IES que oferecem diplomas de graduação de quatro ou mais anos, enquanto no Brasil esta proporção é de 1%. No Brasil, tomando a mesma proporção do que nos EUA, poderíamos ter 56 instituições deste tipo, no universo de 1584 IES (dados do Inep referentes a 2002).

O percentual de alunos matriculados nestas instituições é, no entanto, bem maior – são 14% do total de matrículas nos EUA e quase 10% no Brasil. Estes dados nos mostram que nem todas as IES num país podem se dedicar intensamente às atividades de pesquisa. No entanto, é muito importante que uma pequena parcela das instituições de ensino superior tenha a pesquisa como seu principal foco para assegurar a produção sistematizada do conhecimento, a formação de cientistas e abrigar os grupos de pesquisa produtivos, que é a missão das universidades de pesquisa extensiva.

Outra conclusão importante é que, apesar das dificuldades por que passam nossas IES, tanto públicas quanto privadas, a consolidação da pesquisa e da pós-graduação é uma realidade, principalmente no setor público – e, nele, no sistema federal de ensino e no sistema estadual paulista.

Observação 2008:
É importante observar que nenhuma universidade anteriormente classificada como de Pesquisa perdeu este status. A percentagem de universidades de pesquisa em relação ao total de IES permanece aproximadamente a mesma, isto é, 1%. Ingressaram na lista mais 7 universidades, sendo 5 federais, 1 estadual e 1 privada confessional. Pela primeira vez aparece uma universidade do norte do país, a Universidade Federal do Pará. Mais uma privada comunitária, a PUC do Rio Grande do Sul e uma estadual a UERJ.

Embora a Carnegie Foundation tenha alterado os critérios e as nomenclaturas de classificação, mantivemos a original para analisar as IES em 2008, uma vez que buscávamos aferir a evolução do sistema de ensino superior brasileiro sob os mesmos critérios adotados anteriormente.

Observações 2013:
Novamente, nenhuma universidade presente na classificação de 2008 saiu do quadro. Entraram, no entanto, mais dez na relação (quase 50% a mais do que em 2008). É bastante nítida a aceleração da pós-graduação no nível de doutorado no Brasil. Das dez instituições novas, nove são federais e uma somente estadual, a Universidade Estadual de Londrina. Esse resultado é reflexo do crescimento das universidades federais na última década, com mais vagas e mais recursos. Em São Paulo, que não teve mais nenhuma universidade no ranking, observa-se a filosofia do governo estadual de crescer as universidades existentes, sem descentralizar o sistema universitário do estado. O setor privado, com exceção das PUCs, continua ausente da lista.

 

Universidades de pesquisa classificadas:

Em 1998

Universidade de São Paulo
Universidade Federal do Rio de Janeiro
Universidade Estadual de Campinas
Universidade Estadual Paulista
Universidade Federal de São Paulo
Universidade Federal do Rio Grande do Sul
Universidade Federal de Minas Gerais
PUC – Rio de Janeiro

 

Em 2003 se juntaram a estas:

Universidade Federal de Pernambuco
Universidade de Brasília
Universidade Federal do Paraná
Universidade Federal de Santa Catarina
Universidade Federal de Viçosa
Universidade Federal Fluminense
Universidade Federal da Bahia
PUC – São Paulo

 

Em 2008, além das existentes em 2003, entraram na lista

Universidade Federal do Ceará
Universidade Federal de São Carlos
Universidade Federal do Pará
Universidade Federal do Rio Grande do Norte
Universidade Federal de Lavras
PUC – Rio Grande do Sul
Universidade Estadual do Rio de Janeiro

 

Em 2013, além das existentes em 2008, entraram na lista

Universidade Federal da Paraíba
Universidade Federal de Goiás
Fiocruz
Universidade Federal de Santa Maria
Universidade Federal de Uberlândia
Universidade Federal de Pelotas
Universidade Estadual de Londrina
Universidade Federal Rural de Pernambuco
Universidade Federal do Espírito Santo
Universidade Federal de Juiz de Fora

 

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