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Alimentando o Eixo Boston-Brasil: Treinando Mentores e Empreendedores

Roberto Lobo

11 Janeiro 2018 | 21h13

Alimentando o Eixo Boston-Brasil: Treinando Mentores e Empreendedores

Roberto Leal lobo e Silva Filho                         11 de janeiro de 2018

O Brasil é a oitava maior economia mundial, mas é apenas o 80º nos índices internacionais de inovação e competitividade. Apesar de ser o oitavo país do mundo no total de número de startups (Startup Ranking 2017), quinto em outros rankings, o Brasil não possui centro de inovação entre os 100 mais ativos no resto do mundo (Global Innovation Index, 2017 (tabelas no final do artigo).

Parte da explicação decorre dos conhecidos problemas do país de infraestrutura, ambiente de negócios e burocracia, deficiências graves na educação básica. A relutância em participar mais agressivamente no mercado mundial competitivo é outro importante fator adicional.


Como a revista Forbes recentemente colocou (janeiro de 2017):”Há coisas que os empresários do Brasil podem fazer a si próprios. Como na maioria dos países latino-americanos, as startups brasileiras são muitas vezes pouco mais que espelhos, cópias de modelos comprovados em outros lugares. Isso é bom para fazer negócios a nível nacional, mas para a cultura brasileira de startups se projetar além de suas próprias fronteiras precisa seguir o exemplo dos muitos empresários locais que contribuíram genuinamente com novas ideias para o mercado internacional. O número de empresas que fazem exatamente isso tem aumentado a cada ano que passa, e como o país como um todo começa a virar a esquina de uma crise econômica, esperamos que seja apenas uma questão de tempo antes da Forbes estar mais uma vez escrevendo sobre o crescente cenário das startups brasileiras”. Nossa pouca ambição internacional mais uma vez desponta como reflexo de uma postura tímida, voltada às suas próprias fronteiras, não somente nessa área, mas na educação e nos negócios, entre outras áreas de atividades.Se a introdução da cultura de inovação para estudantes de Engenharia requer uma educação mais criativa, com a exposição a problemas abertos e envolvimento em desafios concretos, que já fazem parte da realidade de muitos programas das mais avançadas encolas de Engenharia do mundo, a educação empresarial para os engenheiros deve abordar ainda algumas dificuldades já identificadas e que são consequências naturais do próprio treinamento e da personalidade da maioria dos estudantes que optaram pela Engenharia. Ao contrário do conhecimento comum, muitos engenheiros enfrentam vários obstáculos para se tornarem empresários bem-sucedidos, assunto que já abordamos em outro artigo. Um estudo das universidades de Duke e Harvard conclui: “Em 500 bases tecnológicas empresas, apenas 37% deles tiveram seus líderes de Engenharia ou Computador Ciência. Não é pouco, mas não tão dominante como se poderia imaginar. O crescimento de uma startup tecnológica também é diferente da maioria das demais”. O treinamento específico para engenheiros no empreendedorismo deve ser uma prioridade para os países que desejam ser mais competitivos em termos de produção e comercialização da inovação. O mesmo se dá para o treinamento de mentores.Por que formar mentores em inovação e empreendedorismo? Os mentores são uma parte importante do processo empresarial. Está bem documentado que as empresas em fase de criação que tenham bons mentores são muito mais propensas a serem bem-sucedidas. O treinamento de mentores não é uma prática atual no Brasil, mas é muito valorizado em outros países. Esse treinamento é uma ferramenta muito importante para melhorar a contribuição do mentor para o desempenho do futuro empresário. Embora, como mencionado anteriormente, a mentoria bem-sucedida pode ser um instrumental para o sucesso de startups, a má mentoria pode ter um efeito muito prejudicial e contribuir para a inviabilização da futura empresa. Em um artigo recente – “Os Mentores de Empreendedores devem ser treinados ou sua Experiência é o Bastante?”, de Étienne St-Jean e Stéphanie Mitrano-Méda, em INTECH, 2015, os autores analisam a importância do treinamento de mentores na educação empresarial em detalhes e reproduzo aqui alguns parágrafos mais significativos:”Nossos resultados mostram a importância do treinamento de mentores, especialmente no que se refere à desenvolvimento de suas competências relacionais, e particularmente para mentores que já tenham acumulado várias experiências de orientação. O treinamento permite aos mentores usar ou compartilhar sua experiência e evitar comportamentos nocivos e pode proporcionar uma abordagem ética e comportamental, informando os mentores sobre seus papéis e responsabilidades, suas limitações e as regras do jogo. Também permite que o mentor desenvolva competências tais como habilidades de escuta, empatia e como usar uma abordagem maiêutica.”

Baseado nestes fatos, tenho tido muitas discussões com professores em Boston, onde estou há um ano e meio como pesquisador visitante, e chegamos à opinião consensual de que um programa de treinamento casado de mentores e estudantes da área tecnológica, engenheiros em particular – com ênfase nas características das startups que se apoiam em inovações tecnológicas e nas estratégias de internacionalização dessas startups – seria de grande importância para o Brasil.

Afinal, os estudantes se vão das universidades e são os professores que ficam e podem desenvolver a cultura do empreendedorismo tecnológico para os futuros alunos dela se aproveitarem.

Com isso, esperamos poder trazer uma colaboração à implantação de um modelo que viesse a somar-se às iniciativas já existentes no Brasil, e também de grande importância, voltado às nossas melhores universidades.

 

Classificação do Global Innovation Index (2017) – 15 primeiros colocados

 

Rank Cluster Country
1 Tokyo–Yokohama Japan
2 Shenzhen–Hong Kong China
3 San José-San Francisco United States
4 Seoul Korea
5 Osaka–Kobe–Kyoto Japan
6 San Diego United States
7 Beijing China
8 Boston–Cambridge MA United States
9 Nagoya Japan
10 Paris France
11 New York
12 Frankfurt–Mannheim Germany
13 Houston United States
14 Stuttgart Germany
15 Seattle United States

 

Ranking Startups por país – Site: Startups Ranking 2017 – 10 primeiros colocados

 

 

Country strartups
United States 28.725
India 4.642
United Kingdom 2.957
Indonesia 1.682
Canada 1.528
Germany 1.274
Spain 999
Brazil 900
France 877
Australia 846
Italy 654