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Vera Cruz vai cortar parte das atividades do programa de EJA

Redação Estadão.edu

10 Junho 2011 | 17h58

O encerramento de parte das atividades do programa de Educação de Jovens e Adultos (EJA) da Escola Vera Cruz, na zona oeste de São Paulo, surpreendeu alunos e professores da instituição. No fim de maio, eles foram avisados da suspensão imediata dos módulos que correspondem ao ciclo 2 do ensino fundamental.

O Ilha de Vera Cruz, projeto de ação comunitária da escola que oferece o EJA, diz que o objetivo é cortar gastos e garante que todos os alunos dos módulos serão encaminhados para outra instituição de ensino. “Temos uma estrutura enorme e atendemos a poucas pessoas. Preferimos investir na alfabetização”, afirma a coordenadora do Ilha, Jussara Ferreira Paim.

Prestes a completar uma década de existência, o Ilha abre duas turmas de alfabetização por ano. Ao final de três anos de aulas, os alunos fazem cinco módulos, cada um com duração de um semestre. Ao fim desses 5 anos e meio de atividades, o adulto recebe certificado de conclusão de ensino fundamental.

Jussara diz que as turmas de alfabetização têm em média 35 alunos por sala. Os módulos, por sua vez, não chegam a 30 estudantes no total. “Vamos fazer uma transferência adequada de todos os alunos e, paralelo a isso, abrir uma terceira turma de alfabetização.”

Mas o fim imediato dos módulos incomoda a alunos como o eletricista Cláudio Luiz Vieira, de 40 anos. Ele entrou no Ilha este ano e está no módulo 2. “Fiquei 25 anos sem estudar. De repente, quando começo a gostar da escola, me dizem que não vou continuar aqui. Estou desanimado.”

Na escola, só são contratados os dois professores das turmas de alfabetização. Todos que ensinam nos módulos são voluntários, que defendem a extinção parcial do curso. “Foi um processo muito mal conduzido, fugiu totalmente do conceito de projeto social. Querem ajudar as pessoas, mas estão cortando a possibilidade de elas continuarem os estudos”, reclama uma professora de matemática que preferiu não se identificar.

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