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Revoltados, estudantes de BH fazem nova prova do Enem

Redação

15 Dezembro 2010 | 14h53

BELO HORIZONTE – Em um clima de resignação, revolta e desconfiança, estudantes de Belo Horizonte compareceram nesta quarta-feira, 15, à Faculdade Anhanguera, na região central da cidade, para refazer a prova de ciências humanas e ciências da natureza do Enem. Na capital mineira, 636 alunos foram convocados para a segunda chance por terem sido prejudicados por erros de impressão no caderno de provas de cor amarela, no primeiro dia de aplicação da prova, em novembro.

No entanto, estudantes que se sentiram prejudicados e não receberam a convocação precisaram recorrer à Justiça. Foi o caso de Raissa Reis Crispim, de 18 anos, que concorre a uma vaga no curso de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). A jovem só teve acesso ao local de prova amparada por uma ordem judicial da 20ª Vara Federal de BH, que concedeu liminar para que ela fizesse a prova. “Ela não foi convocada pelo Inep, apesar de ter tido problemas com a prova amarela também. Então foi preciso recorrer a uma medida judicial”, disse Izabela Amaral Braga, advogada de Raissa.

Segundo Izabela, sua cliente não foi orientada pelo fiscal de prova a constar em ata os problemas. Antes de buscar a Justiça, depois de não ter sido convocada, Raissa procurou informações, sem sucesso. “Ela não teve resposta nem positiva nem negativa do Inep. Na verdade, é uma desorganização.”

Muitos estudantes chegaram para o exame sem esconder a apreensão: “Fica aquele receio sempre. Já deu problema no ano passado, deu nesse ano… vamos ver”, observou Henrique de Oliveira Lisboa, de 18 anos, que tenta ingressar no curso de Arquitetura da UFMG. Luiz Guilherme Bones de Souza, de 18 anos, não escondeu a revolta com o fato de ter de repetir a prova. “Estou esperando que não seja a palhaçada da última vez. Estudei o ano inteiro para ocorrer isso”,
reclamou o jovem, que busca uma vaga no curso de Direito da UFMG.

Depois de convencer o chefe a liberá-lo do trabalho, Lucas Campolina Leão, de 18 anos, admitiu o receio de piorar sua nota final. “O medo é de não ir bem nessa prova. Estou indignado”, comentou o jovem, que tentará entrar no curso de Engenharia de Minas, da UFMG. “Meu chefe não queria me liberar, mas ele é gente boa. Fazer o quê? É o meu futuro.”

Marcus Vinícus Rezende, de 19 anos, chegou a pensar em não refazer a prova, temendo que o nível aumentasse. “Espero que ela esteja no mesmo nível”, disse. “Eu, desde o início, defendi a posição de que teria de reaplicar para todo mundo. O erro foi do governo e ele tem de arcar com as consequências.”

Candidato a uma vaga na Engenharia Civil da UFMG, Greghory Gusmão Metzker, de 18 anos, também cogitou não refazer a prova. Acabou optando por comparecer, mas chegou segundos atrasado, quando o portão da faculdade estava sendo fechado. Morador da região norte da cidade, Greghory disse que atrasou por causa do metrô e confundiu o local, se dirigindo à portaria da faculdade localizada do outro lado da avenida.

“É sacanagem, corri para caramba”, desabafou. “Fui bem na primeira prova, fiz 135 pontos somando com a de linguagens e códigos e matemática , mas ia tentar melhorar. Paciência”, resignou-se.

(Eduardo Kattah, Especial para o Estadão.edu)

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