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Réveillon com vista para o Nilo

Redação

03 Janeiro 2012 | 20h29

* Por Gabriel Natal, de 16 anos. Aluno do ensino médio em São Paulo, faz intercâmbio no Egito desde setembro pela AFS Intercultura Brasil

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“Celebrar o Natal e o Ano Novo no Egito foi uma experiência diferente. Como a maior parte da população é muçulmana, e os cristãos coptas celebram o Natal em diferentes datas, não houve grandes celebrações aqui no Cairo.

Eu e meus amigos intercambistas nos reunimos para um jantar no dia 24 de dezembro, e cada um de nós preparou um prato típico de seu país de origem. Eu cozinhei torta, frango assado, e brigadeiro.

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Foi um Natal diferente, mas um dos melhores que já tive, só com os meus amigos, sem nenhuma formalidade ou grande festa. No Ano Novo rolou a mesma coisa. Nos reunimos para jantar em um restaurante com vista para o Nilo, uma pequena celebração informal, aconchegante.

Como estou em uma escola de currículo americano, minhas férias acabaram ontem, dia 2, pois tenho aulas durante janeiro. Mas, para minha felicidade, embarco para Luxor e Aswan em duas semanas, para visitar os grandes templos e tumbas do Egito faraônico, uma viagem que sempre quis fazer.

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Protestos. Nem tudo está indo bem aqui no país, infelizmente. Protestos em novembro e dezembro foram duramente reprimidos pelos militares, resultando em várias mortes e ferimentos. Vídeos de mulheres sendo espancadas e tendo suas roupas arrancadas circularam pela internet, piorando ainda mais a situação. O grande problema político hoje, na situação atual do Egito, é a dissonância de opiniões quanto aos militares no poder: grande parte da população os defende, acredita
nas promessas feitas e detesta os manifestantes em Tahrir que protestam contra o Supreme Council of Armed Forces (SCAF), atualmente no total poder.

Isso faz com que os egípcios desconfiem um dos outros e se acusem mutuamente de trair a revolução. Várias pessoas acusam, sem fundamentos, os manifestantes de estarem sendo pagos para causar o caos. Na última metade de dezembro não houve conflitos. A Praça Tahrir e imediações estavam completamente normais.

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Outra grande preocupação que tenho, assim como muitos egípcios, é com o resultado das eleições. Mesmo parciais, eles mostram que a Irmandade Muçulmana ganhou o maior número de votos, 40% do baixo parlamento, até agora – o que já era, infelizmente, o esperado. O que não era esperado era o número de votos recebidos pelos partidos salafistas, que ganharam 25% dos lugares no baixo parlamento. Os salafis são um grupo extremista muçulmano, que pretende impor a lei islâmica à força no país, restringindo liberdades individuais.

Agora temos que esperar os resultado final das eleições. Alguns Estados ainda não votaram, e a eleição para o alto parlamento ainda nem começou. E de acordo com o SCAF as eleições presidenciais serão em junho. Ate lá, resta aos egípcios esperar, votar, e desejar um país melhor, sem ditadura militar nem extremismo religioso.”

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