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Que tipo de formação precisa ser oferecido ao professor hoje?

Redação

08 Junho 2009 | 11h04

Para Haddad, focalizar exclusivamente na formação do professor não é suficiente para enfrentar o problema na sua complexidade. Segundo o ministro, em primeiro lugar, o salário dos professores deve ser equivalente ao de qualquer outro profissional com formação superior.

“Em 2003, profissionais com curso superior- completo ou incompleto- ganhavam até 86% a mais que um professor da escola pública ou privada com superior completo ou incompleto. Ou seja, salário de alguém que não fosse professor era 86% maior que do professor. Em 2007, esse dado caiu para 61%, caiu 25 pontos em quatro anos. Se mantivermos esse passo, ou seja- e veja que estou falando de um dado prévio à aprovação do piso da categoria e do Fundeb pleno- em algum lugar no tempo, entre 2014 e 2015, estes valores estarão equiparados. Ou seja, professor de nível superior não ganhará menos do que a média dos demais profissionais de nível superior. Isso será uma grande notícia para o magistério, porque a carreira não vai concorrer em desigualdade com todas as demais carreiras praticamente de nível superior.”

Outro ponto é que o Estado tem que assumir de forma mais efetiva a responsabilidade da formação de docentes. “Precisamos de maior envolvimento das universidades e institutos federais e estaduais que têm capacidade para formar professores, para alterar o perfil desses profissionais que vão iniciar a carreira”.

Para Haddad, a terceira tarefa é possibilitar a existência de pelo menos dois filtros: no ingresso ao curso de licenciatura e no ingresso ao mercado de trabalho, que nem sempre é feito através de concurso público.

O secretário Paulo Renato aponta como questão central do problema o fato de que os cursos para formar professores não dão um instrumental adequado para o trabalho em sala de aula.

“A formação é dual. Se dá de forma separada o conteúdo nas faculdades específicas e a questão didática é vista na faculdade de pedagogia. O estudante é quem tem que fazer uma síntese dos aspectos do conteúdo e da parte pedagógica. O ideal seria integrar esses dois conhecimentos em uma só instituição.”