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Provas da 2ª fase da Unesp são elogiadas por professores

Redação

24 Junho 2012 | 22h47

Mais de 8 mil estudantes participaram, neste fim de semana, da 2ª fase do vestibular de inverno da Unesp. As provas, todas de conhecimentos específicos e com questões dissertativas, foram elogiadas pelos docentes ouvidos pelo Estadão.edu.

“As prova foram muito bem feitas”, comenta Vera Lúcia da Costa Antunes, coordenadora do cursinho Objetivo. “Já há algum tempo, a Unesp tem tido provas bem elaboradas e com questões criativas, que geralmente exigem o domínio de conceitos e fundamentos das matérias”, diz.

No sábado, 23, o candidatos tiveram de resolver questões de ciências humanas e de ciências da natureza e matemática. Neste domingo, 24, a prova de linguagens e código foi aplicada junto a uma redação.

“A principal característica que notei nas provas deste vestibular da Unesp foi um aumento da dificuldade das questões”, diz Edmilson Motta, coordenador do cursinho Etapa. “Em geral, as provas apresentaram uma dificuldade semelhante às de fim de ano, que tendem a ser mais rigorosas, já que precisam selecionar mais pessoas, para um número maior de cursos”.

Ciências humanas

A maior dificuldade da prova, na opinião dos professores, foram as questões de filosofia, disciplina recentemente reincluída na grade curricular do ensino médio. Segundo Motta, a abordagem da matéria está mais clara e direta, “provavelmente porque o vestibular atinge agora quem teve a disciplina durante todo o ensino médio”. A seu ver, ao contrário das edições anteriores, desta vez não bastava apenas interpretação de texto para responder às questões de filosofia.

Ciências da natureza e matemática

“A prova cobrou conteúdos fundamentais de maneira bastante direta, sem grandes contextualizações”, diz Célio Tasinafo, diretor pedagógico do cursinho Oficina do Estudante.  Para a coordenadora do Objetivo, a prova de biologia foi a mais criativa dentre as demais. “Conteúdos importantes foram cobrados por meio de situações completamente inusitadas”, comenta.

No caso, Vera referia-se à questão de número 13, na qual se dizia que um besouro estava com a cabeça submersa na água e que, mesmo depois de 30 minutos, continuava vivo. Um garoto, que acompanhou a cena, tentou repeti-la e não conseguiu. O candidato deveria explicar os motivos do ocorrido, considerando os distintos aparelhos respiratórios. De acordo com a coordenadora, a prova teve um grau de dificuldade um pouco maior do que a de humanas.

Códigos e linguagens

Maria Aparecida Custódio, professora do Objetivo, acredita que a prova de português pôde avaliar bem os candidatos. “As questões tinham como intuito medir a capacidade de leitura e de expressão dos estudantes”, afirma. Célio Tasinafo acrescenta que, tal como na 1ª fase, as proposições não apresentaram grandes cobranças relativas à literatura e à gramática normativa, mas privelegiaram a interpretação de textos e o significado contextualizado de palavras.

O professor Francisco Platão Savioli, do Anglo, apesar de ter gostado da prova e tê-la avaliado com um grau de dificuldade média, acredita que as questões poderiam ter sido um pouco melhor elaboradas. “Os textos foram bem escolhidos, mas as perguntas não exigiam praticamente nenhum conteúdo sobre o funcionamento da própria linguagem”, afirma. “Ao invés de questionar o que o texto diz, seria mais interessante perguntar quais os mecanismos utilizados para produzir este ou aquele sentido.”

A redação desta edição do vestibular teve como tema “A questão das queimadas no Brasil”. Aos canditados foram oferecidos dois textos de apoio: um trecho de Urupês, de Monteiro Lobato, e outro, mais técnico, publicado pela Embrapa. Segundo os docentes, o assunto foi bem escolhido por se tratar de algo atual, que tem sido comentado pelos jornais em meio às reportagens sobre a Rio+20.

“O estudante conseguiria fazer a redação mesmo não estando tão bem informado sobre o assunto, bastaria a ele ser um bom leitor”, comenta Maria Aparecida. Para o professor Savioli, os alunos tinha apenas de fugir do senso comum, e não se limitar aos malefícios óbvios que as queimadas trazem para o meio ambiente. “Era preciso desenvolver o tema de modo mais técnico, utilizando conhecimentos de geografia e biologia, por exemplo.”