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Prova de português é elogiada por cursinhos; redação é definida como ‘faca de dois gumes’

Redação Estadão.edu

06 Janeiro 2013 | 23h10

A prova de português de segunda fase da Fuvest foi elogiada pelos professores de cursinhos ouvidos pelo Estadão.edu. Neste domingo, 6, 28.531 candidatos tiveram de resolver as 10 questões dissertativas de língua portuguesa e fazer ainda uma redação, cujo tema proposto foi consumismo.

De acordo com Nelson Dutra, professor do cursinho Objetivo, a prova foi “modelar”. “Os enunciados e os questionamentos levantados reforçam a ideia de que saber ler não é apenas compreender o texto ali escrito, mas ler também o mundo e entender tudo que está a sua volta”, afirma o professor.

“Esse exame avalia se o aluno tem competência linguística tanto para um bom desempenho na vida acadêmica, como para o exercício da profissão”, completa Francisco Platão Savioli, supervisor de português do Anglo.

Savioli define a avaliação como uma prova essencialmente de leitura de textos. “Os enunciados questionam não só o que diz o texto, mas sobretudo quais manobras foram feitas para que ele produza determinado sentido”, afirma. “Em linhas gerais, foi uma prova focada na decifração de sentidos linguísticos”, diz.

O tema da redação, que exigiu uma discussão e uma análise da visão de mundo tomando como ponto de partida o consumismo, foi visto como uma faca de dois gumes por alguns professores. “É um tema aparentemente simples, mas que apresenta certa dificuldade por trazer algo à tona uma discussão que normalmente é evitada pela juventude”, afirma André Valente, do Cursinho da Poli. “Muitos estudantes podem, por exemplo, não ter enxergado a crítica que ali existia por viverem sob a ilusão de que poder comprar o mundo com o cartão de crédito é o máximo”, diz.

Para o coordenador pedagógico do cursinho Oficina do Estudante, Célio Tasinafo, a falta de uma coletânea de apoio pode ter dificultado o desenvolvimento da dissertação de alguns alunos. “Mesmo tratando-se de um tema aparentemente mais fácil, mais corriqueiro e inclusive mais próximo da vida dos estudantes, essa abertura exigiu do aluno um recorte próprio”, diz. Para o coordenador, a amplitude do tema pode ter elevado a chance dos candidatos terem escrito uma redação superficial e com argumentos soltos.

Héric José Palos, coordenador de português do cursinho Etapa, a redação foi a parte mais simples da prova. “Ela chegou até a destoar do grau de dificuldade geral para parte dissertativa”, afirma. Isso porque Palos achou que as questões, mesmo que muito bem redigidas, estavam “densas” e exigiram dos alunos uma reflexão para além dos enunciados para o alcance das respostas.