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Prova de português do ITA é avaliada como “simples” e “mal formulada” por cursinhos

Redação Estadão.edu

12 Dezembro 2012 | 22h26

O Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) aplicou nesta quarta-feira, 12, as provas de português e inglês de seu vestibular. Os candidatos tiveram de resolver 20 questões de cada disciplina, além de uma redação.

Segundo Heric José Palos, professor de português do cursinho Etapa, muitas das questões da prova de língua portuguesa foram “mal formuladas”, o que deve ter dificultado sua compreensão pelos alunos. Em alguns dos casos, não se entendia o que de fato era exigido e, dependendo da interpretação que o aluno tivesse, a resposta seria uma ou outra.

Na sua opinião, a prova de literatura pecou por ter selecionado textos canônicos e questões que se limitaram a exigir conteúdos “simples e básicos”. O mesmo ocorreu com a proposta de redação, que pediu uma aos candidatos uma dissertação sobre privacidade e as estratégias de publicidade e de consumo do mundo moderno. “O tópico não traz qualquer novidade e ele já foi, inclusive, tema de redação de outro vestibular do próprio ITA”, comenta. Enquanto um focava no comércio online, segundo Palos, o outro dava como situação a ser discorrida uma prática comum em pizzarias, que guardam informações sobre os pedidos de seus clientes.

Nelson Dutra, professor de português do Objetivo, concorda com a afirmação de que as questões de literatura exigiram pouco dos estudantes. “Foi uma prova rasa, que pouco pôde avaliar”, diz. Para Dutra, a questão 29, de gramática, foi mal formulada e, por isso, não apresenta a seu ver uma resposta satisfatória. “Para que fosse aceita a alternativa A, seria necessário que o examinador tivesse considerado o pronome “você” como de segunda pessoa, referindo-se ao interlocutor. A seu ver, isso não é claro e a hipótese chega a ser “forçada”.

A prova de inglês, entretanto, foi muito bem avaliada pelos professores. “Como já é de costume, a prova de inglês do ITA foi bastante abrangente e criativa, exigindo interpretação de uma série de estilos de textos, entre os quais quadrinhos, textos jornalísticos e publicitários”, diz Maria Cristina Armaganijan, coordenadora de inglês do Objetivo. Maria Cristina classifica o nível de dificuldade do exame de médio para difícil, “sem nada em excesso”. “Por ela, é possível avaliar bem os alunos e identificar os melhores candidatos”, afirma. A seu ver, provas muito fáceis ou muito difíceis não conseguem tamanho êxito.

Alahkin de Barros Filho, coordenador inglês do Etapa, acredita que a prova teve algumas pegadinhas. Isso porque em algumas das questões, há mais de uma alternativa correta, sendo uma mais completa e a outra um pouco menos – ainda assim, não errada. “É preciso muita atenção nestes casos”, diz.

Apesar disso, o coordenador ressalta que na prova de inglês, a mudança no estilo das questões deve ser comemorado. Segundo ele, nas edições anteriores do vestibular era comum três ou quatro afirmações serem apresentadas e, ao candidato, caberia descobrir quais delas estariam corretas. “Isso felizmente foi abandonado”, diz. “Esse tipo de questão sempre confundia os alunos, principalmente os mais fracos que acabavam errando por besteira.”

Confira também as correções comentadas do Objetivo e do Etapa.

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