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Professores do Objetivo apontam falhas em questões da prova da Unesp

Redação Estadão.edu

18 Novembro 2012 | 22h47

A coordenadora do Curso e do Colégio Objetivo, Vera Lúcia da Costa Antunes, afirma que a prova de fim de ano da Unesp teve um nível mediano e exigiu essencialmente leitura, interpretação e conclusão de textos. “Quem tem hábito de leitura compreende bem, e tem facilidade, e é isso o que a Unesp quer. Com boa formação e sem decoração, ela consegue selecionar o aluno melhor preparado”, diz. Para Vera, a Unesp tem a preocupação de contextualizar ao máximo as questões, principalmente em biologia, química, física e matemática, e pede que o aluno saiba aplicar os conhecimentos em questões bem elaboradas.

Inglês – Das dez questões de inglês, apenas uma exigia conhecimentos de gramática, segundo a professora Cristina Armaganijan. Ela avalia que, na questão mais difícil, de número 27 (versão 1), os alunos precisavam ter um vocabulário apurado e conhecer o significado das palavras “seamy” (sórdido) e “seedy” (no contexto da prova, o significado era de destruição). “Se eu ouvi essas palavras duas vezes, foi muito”, conta Cristina.

Matemática – O professor Gregorio Krikorian explica que a prova de matemática focou em assuntos clássicos, como progressão aritmética, notação científica, equação de 3º grau e geometria. Ele diz que a pergunta 65 (versão 1) apresentava intertextualidade com conteúdos de biologia e que, nesta questão, o aluno precisava saber que aracnídeos possuem oito patas e insetos, seis.

A questão 85 (versão 1) apresentava uma pegadinha, de acordo com Krikorian: o aluno precisava reconhecer visualmente que, no sexto tubo, a válvula tinha apenas 3 dm de líquido no reservatório, enquanto as cinco primeiras apresentavam uma média total de 6 dm. “Tinha que olhar e reconhecer esse pequeno detalhe. Caso contrário, a resposta seria outra”, afirma.

Já na questão 88,  o professorconta que as emissões deveriam ser medidas por marégrafos e  radares altímetros. Pelo primeiro sistema, a cada década, o nível dos mares e oceanos subiria 1,7 cm, enquanto pelo segundo subiria 3,2 cm. Os valores deveriam ser multiplicados por cinco, para se obter o intervalo correto: 8,5 e 15,5. “A apresentação gera confusão e tinha que ler com muita calma para calcular os dois extremos”, explica.

Física – A prova foi bem elaborada, com conteúdos adequados ao programa do ensino médio, afirma o professor Ricardo Helou Doca. Ele destaca que uma das melhores questões foi a 80 (versão 1), que apontou o processo de liofilização, segundo o qual se retira água dos alimentos sem que eles percam as suas qualidades. Doca mostra ainda um erro na questão 77, que classifica o fenômeno do trânsito de Vênus como rotação em torno da Terra. “Não compromete a resposta, mas pode gerar confusão, porque o termo correto é translação”, explica. Ele afirma também que a questão 78 não apresenta um referencial para a variação mecânica. “Qualquer variação precisa de um referencial e presume-se que é a água do lago”. Embora não comprometa a resposta, ele diz que a prova de física precisava desse “requinte de linguagem” para exigir corretamente a resposta do aluno.

Biologia – O professor Constantino Carnelos afirma que a prova de biologia foi bem elaborada, com testes sem erros e muitas questões interdisciplinares. Na questão 63 (versão 1), o livro “Dom Casmurro”, de Machado de Assis, serviu como pano de fundo para a questão. A dúvida sobre a traição de Capitu e a paternidade de seu filho, Ezequiel, foi levada à análise de tipagem sanguínea.

Mesmo comparando o tipo sanguíneo do filho com Bentinho e com a a filha de Ezequiel (suposto amante), não era possível determinar quem era o verdadeiro pai. “Na biologia e na língua portuguesa, a dúvida continua”, conta o professor.

Geografia – Para Vera Lúcia, a prova de geografia foi extremamente bem feita, exigente, cuidadosa e preocupada em pedir geografia atualizada. “A parte gráfica colorida ajuda muito o entendimento do aluno, que precisa aprender a ler tiras, tabelas gráficas e mapas. O que o Enem não teve de mapa a Unesp teve”. A professora destaca temáticas que contestam o dia a dia, tais como conservação das florestas, terras raras, controle social e marketing religioso.

Português – De acordo com o professor Nelson Dutra, a prova de português seguiu o mesmo padrão de anos anteriores: perguntas que exigiam interpretação de texto e que demandavam leitura atenta. Para Dutra, a questão 11 (versão 1) foi mal formulada. Ele contesta a utilização do termo “sugerir” para a resposta correta. “No texto, há a citação clara de que o eu lírico ‘afirma’ e não ‘sugere’. A própria comissão da prova se contradiz, pois aponta, na questão 15, que o poema ‘nega explicitamente’”, explica.

História – O professor Daily de Matos Oliveira afirma que a prova de história distribuiu bem os conteúdos do programa do ensino médio, mas faz uma ressalva à questão 35 (versão 1). Ele explica que a resposta correta, que apontava a comercialização de matérias-primas como algodão e óleo vegetal na primeira revolução industrial, tinha um pequeno detalhe que passaria despercebido pelos alunos: o óleo vegetal, na época, era utilizado para lubrificação das máquinas. “Isso poderia gerar um desconforto no aluno, que não era obrigado a saber disso, e o faria chutar qualquer questão”, explica.

Química – O professor Sergio Teixeira Bignardi conta que a prova de química continha sete questões relativamente fáceis e com poucos cálculos. Era preciso, contudo, aplicar os conceitos da cinética química e da química orgânica. A prova focou questões como diluição, volatilidade, odores, decomposição, calorização, entre outras. “Foi uma prova elaborada, sem erros, e que trabalhou com aquilo que é visto no programa do ensino médio”, afirma Bignardi.