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Professores apontam questões de interpretação dúbia no Enem

Redação Estadão.edu

03 Novembro 2012 | 20h43

De acordo com os docentes da disciplina de geografia e das áreas de ciências humanas do Cursinho da Poli, uma das questões da prova do Enem pode dar margem para discussão sobre qual seria a alternativa correta. Trata-se da questão nº 36, da prova amarela. No enunciado, dois textos comparam a situação agrária da Europa no século 19 com a da América Latina no século 21. Foi solicitado aos estudantes que, a partir da interpretação dos dois textos, apontassem a alternativa que explicasse como as alterações tecnólogicas interferem na vida das populações locais. A resposta eleita como correta pelos professores do Cursinho da  Poli foi a letra E (na prova amarela), que afirmava que as inovações desorganizam o modo tradicional de vida, obrigando as populações a buscarem melhores condições no espaço urbano ou em outros países, em condições às vezes precárias. Porém, os docentes consideram que as alternativas A e C também podem ser vistas como consequência parcial das inovações. A letra A refere-se à ao êxodo rural e a letra C à ampliação do protagonismo do Estado. “As alternativas A e C são muito genéricas e podem se aplicar a uma consquência para essas inovações, mas a letra E é mais completa. É como se as outras duas estivessem ‘menos certas’, mas não estivessem erradas”, explica o professor Rui Calaresi, do Cursinho da Poli.

Outra questão que, segundo os professores da área de ciências da natureza, pode provocar interpretações equivocadas é de nº 64, também da prova amarela. O enunciado explica o que é a formação de um carbocátion e pede que o aluno identifique as estruturas químicas encontradas nos produtos e no carbocátion.É consenso entre os professores do Cursinho da Poli que resposta correta é a letra A (da prova amarela). Porém, de acordo com o professor Adauto Pessoa, o gráfico que explica as reações possui um erro de conceito. “Não gostamos muito da elaboração da questão, mas o gráfico não compromete a avaliação, desde que o aluno não considere as questões energéticas, que estão equivocadas. Mas dá pra resolver”, diz.
Para os professores do Cursinho da Poli, o Enem 2012 refletiu bem a proposta do Ministério da Educação (MEC) de reformulação do conteúdo do Ensino Médio para quatro grandes áreas de conteúdo: matemática e suas tecnologias, linguagens, ciências da natureza e suas tecnologias e ciências humanas e suas tecnologias. “A prova pede para que o aluno faça conexão entre vários temas. São temas bastante pautados, para os quais o aluno precisa estar ligado em tudo o que está acontecendo”, avalia o professor do projeto interdisciplinar Aprender e Conhecer, do Cursinho da Poli, Joel Pontin.

Na avaliação dos professores do Cursinho da Poli, a prova de história foi interpretativa e analítica e explorou bem os textos e elementos como imagens, charges e fotografias. “Não foi uma prova conteudista. Ela utilizou bem o quadrinho, por exemplo, que tem um grande valor enquanto documento histórico”, destaca o professor Elias Feitosa.

O mesmo raciocínio serve para a prova de geografia. Segundo os professores do Cursinho da Poli, a prova da disciplina abordou questões de raciocínio e reflexão. Não houve, porém, de acordo com os docentes, muito diálogo com as outras disciplinas das ciências humanas. “A prova teve um grau de dificuldade médio à difícil. Ela exigia do aluno um vocabulário elaborado, conhecimento dos conceitos e capacidade de interpretaçao. A prova só pecou na falta de gráficos e mapas. Só havia um gráfico e nenhum mapa, o que eu acho problemático”, considera o professor Rui Calaresi.


As provas de física, química e biologia tiveram conteúdos interativos entre si e abordaram bastante a questão ambiental. Na de física, mais especificamente,houve poucos exercícios de cálculo, de acordo com o professor Sérgio Luiz Lima. “Foi uma prova mais conceitual, com questões que poderiam ser vivenciadas no dia a dia. Achei isso bem legal”, reforçou o professor.

Na área da química, as questões também não exigiram muito cálculo e interagiram muito com a área de biologia e as questões ambientais. “A prova estava tranquila, sem cálculos difíceis, bastante conceitual. Algumas questões aprofundaram muito, mas a maioria explorou de umas forma interessante, aplicada ao cotidiano”, diz o professor Adauto Pessoa.

Por outro lado, de acordo com os professores do Cursinho da Poli, a prova de biologia foi mais conteudista do que interdisciplinar. “Faltaram gráficos, tabelas… Foi uma prova fácil, com enunciados objetivos que avaliavam se o aluno tem um conhecimento razoável da biologia. Ficou com cara de vestibular, apesar de que as alternativas eram simples e direcionavam o aluno para a resposta correta”, avalia o professor Edson Sutema.

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