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Professor vê ‘problemas significativos’ em prova da Unifesp

Redação Estadão.edu

16 Dezembro 2010 | 22h11

O professor de português do Anglo Eduardo Lopes diz ter encontrado “problemas significativos” na prova do vestibular da Unifesp aplicada nesta quinta-feira, 16. Segundo ele, das 30 questões de língua portuguesa, uma está “sem resposta” e outras duas apresentam mais de uma alternativa correta.

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Lopes afirma que a questão 18, baseada em um texto representativo da literatura de cordel, pode ter duas respostas: A e B – e não somente A, como consta no gabarito oficial. “Nos dicionários, ‘estripulia’ é registrada como um termo popular da língua portuguesa. Então ela é tão informal quanto o ‘botava’ da opção A”, explica.

A questão 28 também recebeu críticas do professor. Baseado na letra de Geni e o zepelim, de Chico Buarque, o enunciado perguntava qual verso provoca uma ruptura na descrição da personagem Geni – “uma mulher promíscua e que se entrega aos marginalizados”, segundo Lopes. No gabarito da Unifesp, a resposta é D (“Joga pedra na Geni”). Na opinião do professor, não há resposta. “Mesmo se a resposta fosse C – “Ela é um poço de bondade” – a questão seria ruim, porque mostraria que o candidato não consegue identificar uma ironia.”

A crítica mais contundente recaiu sobre a questão 30 – também elaborada a partir da música de Chico Buarque. O candidato deveria indicar a alternativa que apresenta a função sintática do verso “De tudo que é nego torto”. A Unifesp diz que é a letra E (complemento nominal). “Não existe uma relação de alvo, mas sim de posse. É só olhar o verso “Ela já foi namorada”. Nesse caso, é preciso forçar a interpretação para dizer que é um complemento nominal, quando, na verdade, é um adjunto adnominal, resposta D”, defende Lopes. “A banca deveria aceitar tanto a letra D quanto a letra E.”

Segundo o professor, a questão 30 representa “um retrocesso”. “É uma questão de análise sintática totalmente fora do contexto que contraria toda a orientação contemporânea do ensino de língua. Ela é casuística e mal elaborada.”

Para Lopes, a prova como um todo foi fácil, mas que acabou ficando prejudicada por conta dos erros. “E ela é aplicada para vestibulandos de Medicina de uma das universidades mais concorridas do País. São candidatos preparadíssimos, cujo desgaste em razão dessas falhas é difícil de mensurar.”

O professor de português do Etapa Heric José Palos também aponta um “deslize da banca” na questão 4. O enunciado pedia para identificar um erro gramatical em um texto e corrigi-lo. A Unifesp diz que a resposta certa é B – erro no uso de pronome, pois o verbo “corresponder” não é transitivo direto, como está escrito no texto. Segundo Palos, “corresponder” é verbo transitivo indireto, e não intransitivo, como apresenta a alternativa B. “Trocaram um erro pelo outro. A banca deve ter se enganado.”

Na opinião do professor do Etapa, além desses problemas, os candidatos tiveram de lutar contra o tempo. “Uma prova longa é, consequentemente, cansativa. E, na medida em que se torna cansativa, o aluno fica mais suscetível a erros.”

Redação

O professor de português do Objetivo Nelson Dutra avaliou como “relativamente fácil” o tema da redação – “A intolerância em xeque”. “É um tema bastante atual, porque, por mais que a sociedade tenha noção do espaço do outro, sempre há momentos em que vemos manifestações de intolerância.”

Para Heric Palos, do Etapa, a proposta não surpreendeu o aluno. “Ainda mais porque alguns textos que caíram na prova de português, de alguma maneira, falavam sobre intolerância. O primeiro texto era sobre bullying”, exemplificou.

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