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Prefeitura promete entregar 1,5 mil pontos de entrega voluntária de lixo reciclável até o fim do semestre

Redação

09 Abril 2012 | 19h55

* Por Marina Ribeiro, estudante do 4.º ano de Jornalismo da ECA-USP

A Secretaria de Serviços da cidade de São Paulo, responsável também pelo lixo urbano, promete entregar até julho 1.500 Pontos de Entrega Voluntária de material reciclável. Assim que os pontos ficarem prontos, totalizarão 3.800 distribuídos no município. A verba de R$ 999 mil que foi disponibilizada no orçamento municipal para a aquisição de equipamentos e materiais permanentes dos pontos, no entanto, ainda não foi utilizada.

Mil unidades já estavam previstas no Plano de Metas da cidade, apresentado em 31 de março de 2009, em cumprimento à Emenda 30 da Lei Orgânica do Município. De acordo com a lei, o presidente da República, os governadores de Estados e os prefeitos, eleitos ou reeleitos, apresentariam à sociedade civil e ao Poder Legislativo competente o Programa de Metas e Prioridades de sua gestão, até 90 dias após a posse.

O mecanismo de fiscalização dos cidadãos em São Paulo é a Agenda 2012. Nela o projeto de implantar mil Pontos de Entrega Voluntária, abreviados como PEVs, encontra-se estacionado sem nenhuma ação desde que foi criado. Em nota, a secretaria afirma que ”a meta encontra-se em fase de levantamento de dados e definição de região”.

Em São Paulo, a coleta de recicláveis acontece, além do sistema de recolhimento por caminhões de lixo, por meio dos Pontos de Entrega Voluntária espalhados em parques, supermercados, nos 46 Ecopontos, e em outras áreas públicas. Segundo a secretaria, apenas 20% do lixo domiciliar é passível de reciclagem. Desse total, 8,5% seria separado pelas cooperativas, ou seja, apenas 192 toneladas de lixo reciclável são encaminhadas para as centrais de triagem, de um total de 17 mil toneladas de resíduos produzidas diariamente na cidade.

Coleta seletiva

Além dos PEVs, é necessário investir em centrais de triagem para este material. Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, pelo menos 60% do lixo reciclável separado pelos moradores em suas casas vai parar no lixo comum. Isso acontece porque as concessionárias responsáveis pelo serviço, Loga e Ecourbis, não têm como escoar o material recolhido para as 21 centrais de triagens conveniadas com a Prefeitura.

Quatro novas centrais de triagem estão em fase de implantação e outras oito áreas passam por processo de desapropriação, segundo a secretaria. Contudo, nenhum dos R$ 7,3 milhões destinados às implantações foi empenhado. Ainda é necessário melhorar a estrutura das existentes. Muitas delas não contam com materiais básicos para o trabalho como esteira para o lixo, coletes e luvas. Além das questões estruturais, a coleta seletiva fica refém da capacidade de absorção dos resíduos pelo mercado reciclador. Muitas vezes, dentro das centrais, se o preço do plástico está em baixa, por exemplo, o produto é descartado.

Problema antigo

O coordenador da secretaria executiva da Rede Nossa São Paulo, Maurício Broinizi, afirma que este é um problema antigo e que a atual gestão na Prefeitura de São Paulo não enfrontou a questão que já permeia discussões por mais de duas décadas. “É preciso uma gestão que encare esses interesses e enfrente essa questão de frente. Não houve ainda. Esse debate está colocado para a cidade desde a gestão da prefeita Luiza Erundina, que foi de 1989 a 1992, e até hoje não se implantou a coleta seletiva na cidade inteira”, diz.

Esta matéria foi produzida como exercício do curso Repórter do Futuro. Para saber mais sobre o projeto, acesse:

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