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Post-its em turco

Redação

23 Dezembro 2011 | 09h13

* Por Victória Bragatto, de 16 anos. Aluna do ensino médio em Vitória (ES), está na Turquia fazendo intercâmbio desde novembro pela American Field Service

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“O caminho até a Turquia foi cheio de pedras, mas estar finalmente aqui é incrível. Melhor: estar aqui é ouvir, quando menos se espera, o chamado para oração vindo de alguma mesquita; é começar cada dia com um bom çay e se surpreender sempre com o quão simpáticas as pessoas podem ser.

Eu moro em Eskişehir, na Anatólia Central, uma cidade quase que no meio do caminho entre Istambul e a capital, Ancara. O nome significa “cidade velha”, mas ela é conhecida como “a cidade dos estudantes”: duas grandes universidades da Turquia ficam aqui e muitas pessoas vêm para cá estudar.

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Apenas dois dias depois que cheguei fui para a escola pela primeira vez, e então eu entendi o que é ser brasileira na Turquia (apesar de ouvir, mais de uma vez, que tenho cara de turca!): Fenerbahçe, Alex de Souza, carnaval e Adriana Lima! No time de futebol de minha cidade, o Eskisehirspor, jogam dois brasileiros. Todas as meninas da minha classe pedem para que eu as ensine a sambar, e mais de uma vez ouvi música brasileira na rádio daqui – “Bate forte o tambor…”

Na minha segunda semana aqui ocorreu o Festival do Sacrifício (Kurban Bayramı). Pela tradição, cada família deveria sacrificar um animal e oferecer a carne aos pobres, como forma de celebrar a aceitação de Abrãao em sacrificar o próprio filho segundo a vontade de Deus. Hoje em dia, no entanto, o sacrifício não é mais tão comum (a minha família e a maioria das famílias que conheci aqui não fazem isso). Mas a caridade permanece e essas famílias escolhem doar dinheiro ou comida. De qualquer maneira, como era feriado, tivemos três dias sem escola além do fim de semana e meus pais me levaram para conhecer os parques da cidade e também para ver o mar em Mudanya. No Bayram, pela primeira vez comi simit, um pãozinho com gergelim, e muuuuuuito baklava – um doce em camadas feito de pistache ou nozes.

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Por fim, a língua – é muito diferente, sim, e no começo tive a sensação de que não ia aprender nunca. Mas eu não poderia pedir por uma família e amigos mais incríveis: meu quarto turco é decorado por post-its com os nomes dos objetos e na escola me chamam para jogar forca com palavras bem simples. Tudo ajuda, e pouco a pouco a gente vai se entendendo. E meu amor por esse lugar só cresce!”

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