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Para professores de exatas, vestibular da FGV foi ‘trabalhoso’

Redação

05 Dezembro 2010 | 23h09

Professores da área de exatas do cursinho Objetivo classificam como “trabalhosa” a prova da Fundação Getulio Vargas (FGV) aplicada neste domingo, 5, para selecionar alunos para sua Escola de Economia de São Paulo. De manhã, os candidatos responderam a 75 questões de matemática, biologia, história e geografia. À tarde, os estudantes fizeram 60 itens de português, inglês, física e química. Os aprovados ainda terão pela frente a segunda fase do processo seletivo.

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Para o professor de matemática Gregório Kricorian, algumas das 30 questões estavam difíceis. “Não pela quantidade de cálculo, mas pelo nível de domínio de conteúdo exigido do aluno”, diz. Segundo ele, praticamente todo o conteúdo do ensino médio foi abordado. “As questões tinham enunciados perfeitos, algumas eram inovadoras. Não tenho críticas”, explica. O problema, na opinião de Kricorian, era controlar o tempo. “Como são 75 questões para responder em quatro horas, talvez não tenha dado tempo de o candidato responder tudo de matemática.”

Já o professor de física Ricardo Helou Doca critica os enunciados. “Estavam mal redigidos e confusos”, afirma. “Pela dificuldade das questões, que exigiram muitos cálculos, essa prova parecia que estava selecionando para Engenharia, e não para Economia.”

Na opinião de Alessandro Nery, professor de química, o exame foi “bem elaborado”, mas teve questões trabalhosas. “A prova da FGV é sempre bem abrangente. Varre todo o conteúdo da química do ensino médio.”

Linguagens

A prova da FGV foi muito mais gramatical do que linguística, na avaliação da professora Thaís Marassi Prado. “O exame vai na contramão das provas atuais, como a Fuvest e o Enem, que se preocupam mais em avaliar a habilidade de o candidato ler e interpretar textos”, explica. Segundo ela, isso deixa a prova “mais superficial” ao não analisar as habilidades linguísticas do candidato.

Assim como português, a prova de inglês teve 15 questões – a maioria delas exigiu leitura e compreensão de textos de fontes variadas, mas todos sobre economia. O primeiro era sobre a pobreza no Brasil e a tentativa de se eliminá-la, o segundo falava do crescimento econômico brasileiro em comparação com outros países, e o terceiro tratava da economia informal. “A maior parte das questões tinha perguntas e alternativas em inglês, ao contrário do que ocorre na Fuvest e no Enem”, explica o professor Sidney de Campos. “Isso exige do aluno uma boa capacidade de compreender textos.”

Biologia

O professor Constantino Carnelos diz ter gostado da prova de biologia, que valorizou conteúdos da biologia animal. “São conceitos bem atuais que foram trabalhados em uma prova bem feita, com questões claras que não davam margem para interpretação dúbia”, diz. “E eles capricharam na qualidade dos enunciados.”

Humanas

“Esta prova foi de excelente nível”, resume a professora de geografia Vera Lúcia da Costa Antunes. “O exame cobrou assuntos bem tradicionais na geografia. Coisas que o vestibulando estudou no ensino médio inteiro.” Segundo ela, as 15 questões devem ter sido respondidas com tranquilidade pelos candidatos. “Foi uma prova bem ilustrada, com temas bem atuais, porque geografia é o que vivemos”, afirma.

Para o professor de história Robson Santiago da Silva, a prova privilegiou o aluno que está bem preparado. “São 15 questões bem distribuídas entre história geral e história do Brasil, com destaque para uma muito interessante sobre escravidão na África antes da chegada dos europeus.”

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