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Para Cursinho da Poli, prova teve “a cara da Fuvest”

Redação Estadão.edu

06 Janeiro 2013 | 17h31

O professor do Cursinho da Poli, André Valente, define a prova de português do primeiro dia de exames da segunda fase da Fuvest 2013 como “tranquila”.  “A avaliação teve a cara da Fuvest, sem grandes surpresas”, afirma. De acordo com o professor, os enunciados foram  diretos e os textos abordados no exame não chegaram a ser muito longos.

Como de costume, a maior parte das questões exigiu interpretação de texto e não gramática. “Quando apareceu gramática, ela caiu de forma aplicada e não conceitual”, diz. As questões que exigiram um conteúdo mais técnico cobraram conhecimento sobre concordância verbal, sujeito pós-posto e o uso de vírgula.

Quatro obras literárias de leitura obrigatória, Viagens na minha terra, de Almeida Garrett, Til, de José de Alencar, Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis e Sentimento do mundo, de Carlos Drummond de Andrade, foram exigidas nesta avaliação. “Há aqui um recado da Fuvest, que está dando uma atenção maior para a lista de livros obrigatórios e parece que pretende cobrá-los sempre”, diz Valente. As obras já tinham sido cobradas na primeira fase.

De acordo com o professor, as questões de literatura dificilmente exigem um conhecimento isolado da obra. “É preciso conhecer os contextos literário, histórico e social em que esse livros foram escritos”, diz. “Quando a questão não está relacionada a aspectos como esses, geralmente se exige uma comparação de determinado aspecto entre as próprias obras”, afirma Valente. Nesta prova, por exemplo,  o poema “Tristeza do Império”, de Sentimento do Mundo foi relacionado com Memórias Póstumas.

Para o professor,  a questão de número 5 pode ter atrapalhado os candidatos do ponto de vista emocional. A questão traz um texto de Rui Castro e o compara com uma descrição do personagem José Dias, de Dom Casmurro, obra de Machado de Assis que integrava a lista de leituras obrigatórias do vestibular anterior. “Dava para o candidato responder tranquilamente a questão com o que estava posto ali, sem um conhecimento mais profundo do enredo”, afirma Valente. “Mas só a simples menção dessa obra pode ter gerado uma confusão para os alunos”, diz.

Quanto ao tema da redação, que exigiu uma discussão e uma análise da visão de mundo tomando como ponto de partida o consumismo, Valente acredita que ele pode ser encarado como uma faca de dois gumes. “É um tema aparentemente simples, mas que apresenta certa dificuldade por trazer algo à tona uma discussão que normalmente é evitada pela juventude”, afirma. “Muitos estudantes podem, por exemplo, não ter enxergado a crítica que ali existia por viverem sob a ilusão de que poder comprar o mundo com o cartão de crédito é o máximo”, diz.