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Para Cursinho da Poli, prova da Unesp foi bem feita e tranquila

Redação

18 Novembro 2012 | 20h24

Para o professor de história Elias Feitosa de Amorim Júnior, a prova cumpriu o seu objetivo ao trazer questões de conhecimentos gerais comuns a uma primeira fase, sem a exigência de conteúdos muito específicos. “A avaliação abordou uma variedade grande de temas, apresentando questões de caráter mais interpretativo”, afirma.

Duas questões da disciplina, no entanto, exigiam do candidato um conhecimento prévio sobre o conteúdo. Trata-se das questões 38 e 41 (versão 1), que abordavam o primeiro reinado e a ditadura militar brasileira, respectivamente. “Os estudantes não puderam, nestes casos, contar com o apoio dos enunciados, que eram bastante curtos”, diz. “Era preciso que soubessem o mínimo para poderem responder”.

Andréa Provasi Lanzara, professora de português, achou a prova bastante tranquila. “Foi uma avaliação muito bem feita, que teve como objetivo selecionar candidatos que sabem ler criticamente”, diz.

A seu ver, os textos não foram muito longos, mas exigiram concentração dos candidatos, pois trabalhavam com uma interpretação de raciocínio lógico. As questões de gramática foram poucas e, sempre que apareciam, estavam de alguma forma relacionadas aos textos. A prova de literatura não teve um formato “tradicional”, com a cobrança de escolas literárias, mas valorizou-se muito mais os recursos estilísticos.

Lúcia Helena Martins de Souza, professora de inglês, acredita que os alunos que têm o costume de ler textos de jornais e revistas estrangeiras tiveram mais facilidade para resolver as questões da disciplina. Apesar de uma avaliação “leve”, as questões exigiram um conhecimento mais aprofundado dos candidatos. “Os textos estão mais curtos, mas nem por isso menos exigentes”, afirma. De acordo com Lúcia, mesmo conteúdos específicos, como gramática, são cobrados de forma aplicada à interpretação de textos.

Para a professora, alguns alunos podem ter tido dificuldades nas questões 25 e 29 (versão 1). Na primeira, pela cobrança de classificação morfológica de palavras, “algo simples, mas para o qual os alunos não se atentam normalmente”; e na segunda, pela necessidade de uma leitura mais detalhista e atenta.

Para o professor de biologia, Eduardo Leão, a Unesp tem caminhado de modo muito interessante e bem sucedido com o emprego da interdisciplinaridade nas questões. A prova se distribuiu bem pelas áreas da biologia, com oito questões, com destaque para as de bioquímica com física ótica e de zoologia com matemática. “Usar o conceito óptico com o bioquímico, como ocorreu nessa prova, por exemplo, é um futuro que na verdade já é passado, desde a época do naturalismo, com Darwin e Mendel, quando as ciências eram uma só”, disse Leal, sobre o posicionamento da nova escola em reduzir de 13 para quatro, as áreas de conhecimento.

Eduardo Costa, professor de matemática, sentiu falta de mais questões de geometria – na prova, apenas uma abordou o conteúdo. “Talvez seja algo q ue será mais abordado na segunda fase”, comenta. Costa define a prova como simples e de fácil alcance a alunos bem preparados. “A Unesp tem se aproveitado do Enem e mostrado como é que se faz uma boa prova de conhecimentos gerais”, afirma. A seu ver, a extensão das questões é o principal ponto que separa os dois exames.

Para Joel Pontin, coordenador de disciplinas do Cursinho da Poli, a grande novidade do exame se deu pela excessiva cobrança de conteúdos de filosofia e sociologia – 12 questões, de acordo com o coordenador. “Estamos lendo isso como uma forte tendência dentro dos exames de vestibulares”, afirma. “Depois desta prova, a minha expectativa no que diz respeito à Fuvest, por exemplo, só aumentou, está enorme”, diz. Na sua opinião, as demais questões encaixaram-se no histórico de conteúdos cobrados pelo vestibular da universidade.