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Países apresentam diferentes usos das TICs em sala de aula

Carolina Stanisci

28 Abril 2010 | 17h41

Todas as crianças e jovens do Uruguai em idade escolar já têm seu computador pessoal, assim como os professores da rede pública de ensino. A apresentação do Plano Ceibal, criado pelo governo daquele país em 2007, foi um dos momentos mais importantes do segundo dia da conferência internacional “O Impacto das Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs) na Educação”. O evento, promovido pela Unesco em parceria com o Ministério da Educação (MEC), termina nesta quarta-feira, dia 28, em Brasília.

O programa uruguaio segue as mesmas diretrizes do Um Computador Por Aluno (UCA), do governo brasileiro. Enquanto aqui no País foram comprados 150 mil computadores – e que ainda serão distribuídos -, o governo uruguaio já equipou quase toda a sua comunidade escolar com laptops ligados à internet.

Segundo a socióloga Ana Laura Martínez, responsável pela Área de Estudos de Impacto Social e Educativo do Plano Ceibal, o governo já entregou 380 mil computadores no país. Cerca de 97,5% dos alunos usam computador. Em uma das pesquisas que ela coordenou, viu-se que o impacto da tecnologia foi maior nas escolas situadas em regiões pobres.

Os laptops entregues aos estudantes foram especialmente desenvolvidos para suas necessidades. O teclado, por exemplo, tem um tamanho menor que o tradicional – o que torna o uso ideal por crianças. Ele também é imune à água – as crianças podem derrubar um copo nele, sem o danificar.

O Ceibal – nome de uma planta típica do país – começou em 2007, em escolas do interior do Uruguai. Chegou à capital, Montevidéu, no ano passado.

Chile

Os consultores da Unesco no Chile Miguel Nussbaum e Patricio Rodríguez ministraram palestra sobre a avaliação do impacto das TICs na qualidade da educação.

Em estudo, desenvolveram um método para avaliar o impacto das TICs na sala de aula. Começaram a observar a partir da experiência do governo chileno, que começou a fazer testes com ferramentas tecnológicas em salas de aula em 2004. Numa aula de matemática, por exemplo, perceberam que as crianças das séries iniciais do ensino fundamental gostavam de aprender números usando agendas eletrônicas. Não só gostavam, como tinham melhor aproveitamento.

Os estudos com as TICs evoluíram e hoje 30 escolas de ensino fundamental e médio do Chile estão sendo avaliadas. Segundo Nussbaum, da Pontifícia Universidade Católica do Chile, os testes são necessários para avaliar o grau de prioridade de investimentos nas TICs. “Precisamos investir de maneira hierárquica. Achei interessante o ministro (referindo-se ao secretário de Educação a Distância do MEC, Carlos Bielschowsky, que falou ontem na abertura do evento) dizer que o Brasil ainda não tem o um computador por aluno”, disse.

Bielschowsky afirmou ontem que o governo já comprou 150 mil laptops para distribuir entre alunos de escola pública. Mas, antes disso, o MEC entregou computadores para estudantes de cinco cidades de diferentes Estados, em uma experiência piloto.

Outro estudo conduzido no Chile é o Multiple Mouse, em que três crianças controlam mouses diferentes, mas ligados a um mesmo computador. Segundo os consultores, além de ter um custo baixo de implementação, a ferramenta possibilita a interação entre os estudantes, que também aprendem a respeitar os limites individuais no trabalho coletivo.

Para Rodríguez, a introdução de TICs em salas de aula deve ser avaliada por outros órgãos, que não sejam os responsáveis pela implementação. “Há muitos projetos sendo implementados, mas quem avalia são as mesmas pessoas que implementam. Acho importante que sejam pessoas diferentes.”

Brasil

Um dos projetos apresentados pelo Brasil no painel “Status e perspectivas da avaliação do impacto das TICs nas escolas na América Latina” está sendo desenvolvido em Hortolândia, no interior de São Paulo. Através de parceria entre a USP, a Unesco e a Dell Computadores, 90 professores do município foram capacitados para o uso das ferramentas tecnológicas.

Salas de aula do 5º ano do ensino fundamental e do 1º ano do ensino médio ganharam computadores e agora os pesquisadores estão começando a avaliar o impacto do uso da ferramenta sobre os estudantes.

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