As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Os desafios de inovação na sala de aula

Redação Estadão.edu

05 Abril 2013 | 10h42

No debate ‘Desafios e possibilidades de inovação na sala de aula: Referências para educadores’, as palestrantes Diane Tavenner (Summit School) e Nicole Hinostro (High Tech High) discutiram os modelos aplicados em suas escolas, de ensino personalizado.

A Summit School, segundo Diane, é o maior sistema de educação pública dos EUA, atendendo 1 em cada 8 alunos da rede pública nacional. A escola, existente há 10 anos, trabalha com o conceito de que o próprio aluno define o que quer estudar, de forma que seu plano de ensino seja adaptado de acordo com suas necessidades. Até mesmo o dia e a data da prova é escolhido pelo estudante. Diferente da escola tradicional, o aluno da Summit evolui de acordo com sua capacidade – o que o incentiva a querer melhorar. “Na sala de aula comum, o aluno tem a impressão de que está evoluindo porque, mesmo que ele não entenda, a aula continua. No nosso modelo, não. De repente, ele percebe que não está progredindo, porque não pode avançar pra próxima etapa sem mostrar que já aprendeu o que devia”, explica Diane.

Se esse modelo funciona? A Summit School tem um índice de 100% de seus alunos aprovados nas faculdades.

O trabalho na escola High Tech High é o mesmo: o aluno deve mostrar o que sabe para progredir. O objetivo da instituição, que incentiva os trabalhos em grupo, é que os alunos aprendam também uns com os outros, e se ajudem na elaboração do currículo escolar. “Nós queremos criar o maior número de experiências inesquecíveis de aprendizado possível”, diz Nicole. Assim como na Summit, os alunos da High Tech High aprendem na prática os conceitos educacionais, e dispões de ferramentas diversas para isso: seja ela um martelo, durante um projeto de engenharia, ou uma plataforma online.

O papel do professor também foi bastante abordado – tanto pelas palestrantes quanto pelos participantes. A questão é: a inovação não vai tirar o posto do educador. Ela aparece como um aliado no aprendizado, otimizando a experiência educativa. Para isso, há a necessidade de capacitação do profissional, algo bem reforçado nas duas escolas.

A participante Solange Petrosino, Gerente de Serviços Educacionais da Editora Moderna, acredita que a formação intensa do professor é fundamental, e que as escolas devem investir mais nos educadores. Opnião compartilhada com Alzira Silva, da Associação de Educação Financeira do Brasil. “O professor precisa de um processo de formação continuada, para caminhar alinhado às mudanças da sociedade. O aluno não é mais apenas ouvinte, diferente do que o professor aprendeu na faculdade”. E isso não pode ser apenas no âmbito do professor, afirma o consultor em educação cooperativa Gustavo Couto. “É fundamental capacitar diretores, donos de escola, secretarias de educação, ministros, governantes. Se não, não há valorização do professor.”

O desafio da inovação não vem sozinho. Vem acompanhado de políticas públicas e, principalmente, as dúvidas em relação a eficácia do ensino. Com base nos números, é impossível contestar o sucesso das intituições. Comparadas ao restante do país, elas ganham disparado em índices de conclusão do curso e admissões na faculdade. Ainda assim, muitos pais ainda resistem em acreditar que o modelo funcione, assim como a comunidade e, às vezes, o próprio aluno. O trabalho, portanto, envolve além do âmbito escolar, e aproxima a família da escola. No caso da High Tech, por exemplo, os professores chegam a visitar as famílias durante o período escolar.

Em relação a políticas públicas, as duas escolas são classificadas como charter schools, escolas públicas que recebem certa liberdade para agir conforme estabelecem. Neste modelo, a instituição deve apresentar uma espécie de plano de ensino às autoridades e, após um certo período, mostrar os resultados dessa proposta.