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Operário e dona de casa são exemplo de público diversificado do Enem

Carolina Stanisci

04 Novembro 2012 | 18h47

* Por Lucas Azevedo
PORTO ALEGRE – Cláudio Roberto dos Santos, de 40 anos, trabalha para uma grande construtora e, pela segunda vez, faz o Enem. Há 24 anos trabalhando na construção civil, ele pretende crescer na profissão. “Faço do alicerce ao telhado. Mas quero me aperfeiçoar, quero uma vida melhor.”
A exemplo do filho, de 21 anos, que faz faculdade de Administração, e da mulher, que cursa doutorado em Educação, Santos não pensa em parar de estudar. Há poucos anos concluiu o ensino médio e o foco agora é entrar em uma universidade. “Somos pessoas que querem adquirir conhecimento. Meu negócio é insistir.”
Esta é a segunda vez que Santos faz o exame. No ano passado não conseguiu uma boa nota. “Este ano me envolvi muito com o trabalho, e não consegui estudar direito. Mas, se não der certo desta vez, no ano que vem vou me dedicar mais e insistir no conhecimento. Quero cair para dentro e ir em frente.”
Com o Enem, Santos pretende conseguir vaga na Universidade Federal do Rio Grande do Sul ou, então, uma bolsa de estudos.  “O que me pedem para fazer na construção, faço da melhor maneira possível. Agora preciso passar.”
André Zottis, de 21, já está na faculdade e trabalhando. Mesmo assim, neste fim de semana ele enfrentou a maratona do Enem. Estudante do 1.º ano de Administração em uma faculdade particular de Porto Alegre, ele pretende mudar para uma instituição pública.
André admite que não conseguiu se preparar como queria. “Ou eu estudava para o Enem ou fazia os trabalhos da faculdade.” Independentemente disso, ele acha que as provas desta edição estão mais difíceis. “Estão mais subjetivas, exigem uma melhor interpretação. Por isso quem não estudou pode ir bem e quem se dedicou pode ter uma nota ruim.”
Já a dona de casa Ana Paula Silvano, 38, não pensa em entrar na universidade. Fez o Enem este ano para tentar concluir o ensino médio. “Terminei o 1.º grau há mais de dez anos. Agora, quero tentar encerrar a escola”, afirma.
Mãe de dois filhos, de 12 e 13 anos, Ana Paula acredita que terá mais chances no mercado de trabalho com o ensino fundamental completo. Diz que o conteúdo ensinado hoje é muito diferente do que se aprendia na sua época. “Conversando com uma amiga que é professora, vimos que antigamente se ensinava mais do que hoje em dia. Parece que agora a escola foca mais em ensinar o jovem a ler, escrever e fazer as quatro operações do que nas outras matérias.”
Ana Paula diz que os filhos comprovam sua tese. “Dá para contar nos dedos algumas perguntas de história, por exemplo, que a gente faz e eles sabem responder.”