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O círculo de amizade dos noruegueses

Redação

23 Dezembro 2011 | 14h29

* Por Gabriel Roman, aluno do ensino médio em Curitiba. Faz intercâmbio na Noruega desde agosto pela American Field Service

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“Hei, hvordan har du det? Olá, como vai? Meu nome é Gabriel Graton Roman e moro na Noruega desde agosto. Mesmo tendo chegado quatro meses atrás, a paisagem maravilhosa desse país ainda me surpreende.

Amigos

Os noruegueses são famosos por serem frios. No começo concordei com isso, mas agora já consigo entender a maneira que eles pensam. O que eu entendo é que: todas as pessoas têm uma esfera em torno delas. Dentro dessa esfera ficam os amigos e a família. Essas são as pessoas com quem elas se importam.

Normalmente, os adolescentes têm os mesmos amigos que tinham desde os 4 ou 5 anos de idade. Eles entraram na esfera, e não saem mais. Não existe isso de trocar de amizade – como é comum no Brasil. Mas o problema é que quando eles estão no 1.º ano do ensino médio, por exemplo, não querem mais amigos, pois acham que têm amigos “suficientes”.

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Então é muito difícil conseguir entrar nessa esfera, pois eles não veem as pessoas que estão fora do círculo. Para eles, essas pessoas são invisíveis. Eles não começam uma conversa com ninguém que eles não conhecem.

Então, se você quiser ir para Noruega, não pode ter vergonha de falar, falar, falar, falar e insistir para tentar entrar na esfera de cada pessoa. Se você conseguir entrar você vai ter um amigo(a) para o resto da vida. Outra coisa: se você conversar com uma pessoa por 1 hora, durante alguma aula, no dia seguinte ela não vai falar “Oi” nem nada. Eles “esquecem” que falaram com você. Nessas situações a gente tem que pensar “Não foi pessoal, não foi pessoal, não foi pessoal…”.

Agora, é bem fácil fazer amizades com outros intercambistas. A maioria das pessoas é bem aberta. Torça para ter algum na sua escola, cidade ou por perto.

Família

Eles são muito legais, muito acolhedores, da maneira deles. Não conheço nenhum intercambista que mudou de família ou que quer mudar. Acho que essa parte é a que dá menos problemas. A minha família hospedeira sempre me apresenta comidas culturais, tradições e me ajuda com o norueguês. A minha avó hospedeira (mãe do meu pai) mora com a gente. Ela é muito legal e carinhosa. Ela sempre me chama e a meu irmão (de 16 anos) para comer waffles ou algum docinho que ela fez. Ela tem mais de 90 anos e está ótima de saúde.

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Tenho uma irmã hospedeira de 23 anos. Ela também fala português, pois fez intercâmbio em Portugal. Ela é bem legal, mas não fica muito em casa. Por último tem o meu irmão hospedeiro de 20 anos. Ele não fala muito comigo e normalmente só fica no quarto. Ele está bem ocupado estudando para uns exames.

Norueguês

Aprender a língua não é tão difícil como eu imaginei. Ainda não sou fluente, mas consigo falar quase tudo que preciso e quero. Minha família começou a falar apenas norueguês comigo desde o meu aniversário (3 de outubro). Meu pai não fala norueguês muito bem, mas ele se vira para falar, então agora ele não fala nenhuma palavra em inglês, mesmo que eu não entenda. Minha mãe é bem boa em inglês, então ela às vezes traduz algumas coisas para me ajudar.

Meus colegas falam normalmente norueguês comigo, mas alguns só falam inglês para melhorar o inglês deles. Em geral, todo mundo aqui pode sobreviver com o inglês. Eu falei com duas pessoas que não falavam quase nada de inglês – e uma é a minha avó hospedeira (risos). Agora eu estou esperando para conseguir entender as aulas, pois isso é o mais difícil.”

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