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O aluno que ensina

Carolina Stanisci

26 Abril 2010 | 20h37

“Estamos diante de um caso em que o aluno ensina.” Com essa curiosa introdução, Guilherme Canela, coordenador da Unesco no Brasil, começou o workshop preparatório para a conferência “O impacto das TICs na Educação”, que vai acontecer em Brasília entre amanhã e quarta. O evento será focado na formação dos professores para lidar com as tecnologias de informação e comunicação na sala de aula e tentará responder a questões como: de que tipo de capacitação os professores precisam para usar, com sucesso, a tecnologia?

Alunos, no caso, são os “nativos” que nasceram com a tecnologia da internet e têm domínio sobre o acesso a conteúdos na rede. Saber como acessar a informação em sites de busca, porém, não é suficiente em termos educacionais. É necessário que o estudante também crie conteúdos e participe, ao lado do professor, do processo de aprendizado.

Entre as iniciativas bacanas citadas por três especialistas na área da educação sobre o tema, estão a plataforma do governo de recursos educacionais abertos do Portal do Professor, do MEC, blogs de professores e até o Second Life – usado em aulas de artes.

Abaixo, leia a opinião das três especialistas no tema sobre os TICs em sala de aula:

 

ROSA VICARI (Professora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul):

“A maior parte dos professores não nasceu com o mouse na mão”

“As políticas de capacitação têm de levar em conta o tamanho do país e o custo de compra de tecnologia – em alguns países modem é barato, em outros não”

“O cenário ideal é que professores e alunos sejam atores protagonistas, que usem a criatividade para a tecnologia”

“É importante que o aluno não use a tecnologia apenas para acessar o Google, mas que crie seus próprios conteúdos”

 

MARIA ELIZABETH BIANCONCINI DE ALMEIDA (professora da PUC-SP):

“Um marco na área foi o Educom – o 1º programa de informática na educação do País. A iniciativa na época foi do MEC, era a época de disseminação do Windows, de fazer softwares educacionais. Isso foi mais ou menos de 1984 a 1989”

“A criação da Secretaria de Educação a Distância foi um bom fomento à incorporação dos TIC à educação”

“Na época (década de 90), houve grande inclusão digital. Mas a educação tem uma especificidade que vai além disso”

“Crianças na periferia aprendem inglês jogando na internet. Meninas usam mais as redes sociais, mas também aprendem inglês. E as escolas, o que tem feito em relação a esse aprendizado?”

“Não dá mais para ter aula de informática separada, o aluno tem que usar a internet quando necessário”

“O uso das TICs precisa estar no currículo. Isso eu vejo como um desafio”

 

LEILA IANNONE (consultora da Unesco):

O desafio é formar professores e ter programas para formar professores”

“O que os alunos estão aprendendo? Vai além do aprendizado da tecnologia – essa pergunta está presente mundo afora”

“Não estamos falando de informatização do ensino. Nisso, a educação a distância ajudou – a tirar o preconceito em relação ao virtual”