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Manifestantes da USP bloqueiam trânsito no Centro

Redação

10 Novembro 2011 | 16h53

* por Carlos Lordelo

Foto: @pierorox

SÃO PAULO – Mais de 450 pessoas já ocupam a calçada e a rua em frente à Faculdade de Direito da USP, no centro. Cerca de 25 policias militares acompanham a movimentação. Manifestantes bloquearam o trânsito no Largo São Francisco.

Um caminhão de som chegou ao local e foi ligado. Uma moça mencionou a entrevista do reitor Rodas ao Estado e disse que sua fala de que “a sociedade paulista está farta de invasões” abre caminho para “uma política mais repressiva”.

Parte dos manifestantes carrega tambores; outros, faixas. Nelas, lê-se frases como “Ocupa Sampa Anti Repressão”, “A questão não é maconha”, “PM: Violência e repressão não são a solução”, e “[eleições] Diretas para Reitor”. Um cartaz com foto do cantor Roberto Carlos diz “é proibido fumar pois o fogo pode pegar”.

Os manifestantes gritam “fora PM!”, “não à repressão” e “fora PM do mundo!”.

Alexandre Pariol, diretor do Sintusp, é um dos presentes ao ato político. Perguntado sobre se a decisão do sindicato não aderir à greve declarada por alguns alunos enfraquece o movimento, Pariol  disse que cada categoria responde a seu modo. “Os estudantes tinham que reagir, não podiam aceitar a PM no câmpus e sua atuação violenta”. Ele destacou o fato dessa manifestação ter sido convocada em frente à faculdade que decretou Rodas persona non grata. “Este é um ato público para dizer ‘não’, dizer ‘fora Rodas’ e ‘fora PM do câmpus’ . Foi uma vergonha a prisão de estudantes e funcionários”, considerou.

Segundo Pariol, um servidor da SanFran identificado como Bruno era um dos quatro funcionários detidos na manhã de terça na Reitoria. “O espaço da universidade nao é lugar para policiais transitarem”, disse Pariol. “Na universidade, não se precisa pedir licença para fazer as discussões.”

Renan Barbosa, de 21 anos, é aluno do 3º ano da SanFran. Para ele, o ato de hoje é uma ação legítima para manifestar repúdio à “ação violenta e despreparada” da polícia. “As pessoas que ocuparam a FFLCH  e a Reitoria merem respeito”, afirmou. Segundo Renan, a PM garante apenas uma falsa sensação de segurança. “É preciso pensar em políticas de integração da USP ao espaço público”, considerou. Para Renan, a greve declarada por estudantes é legítima para aprofundar o debate sobre segurança. Ele classificou a ação da PM na reintegração de posse como “espetaculosa” e diz que serviu “mais para mostrar quem manda do que para fazer valer a legalidade”.

Caio Giovani, de 19 anos, é aluno de Ciências Sociais na Fundação Santo André, uma faculdade particular. Diz que há um grupo de colegas dele no ato, mas não soube precisar quantos. Caio diz que a polícia tem feito abordagens a estudantes em frente à faculdade dele. “A PM não tem nada a adicionar pra gente. Nós somos apenas estudantes.”