Livro ‘O Roubo do Enem’ é lançado em Brasília nesta terça
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Livro ‘O Roubo do Enem’ é lançado em Brasília nesta terça

Autora da obra, a repórter especial do 'Estado' Renata Cafardo fará palestra para estudantes no Centro Universitário Iesb

Redação Estadão.edu

14 Novembro 2017 | 07h00

BRASÍLIA – O livro O Roubo do Enem, da repórter especial do Estado Renata Cafardo, será lançado nesta terça-feira, 14, em Brasília. A jornalista fará palestra sobre a obra para estudantes no Centro Universitário Iesb (Câmpus Sul) às 19h30 e, em seguida, haverá uma sessão de autógrafos.

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‘O Roubo do Enem’, da jornalista Renata Cafardo, foi lançado em 2017 (Foto: Editora Record)

No ano em que o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) vazou e a prova foi cancelada, em 2009, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), órgão responsável pelo teste, ignorou dois avisos de que a gráfica incumbida da impressão não tinha segurança suficiente. É uma das principais revelações de O Roubo do Enem.


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Renata foi a responsável por revelar, nas páginas do Estado, o vazamento do exame. O problema prejudicou 4,1 milhões de estudantes inscritos em todo o País naquele ano.

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O escândalo veio à tona depois de uma dupla de golpistas ter conseguido uma cópia da prova e tentado vendê-la, sem sucesso, para a jornalista. Em vez de pagar pela informação, o que é vetado pelo código de ética jornalística, a repórter marcou um encontro com os criminosos, viu a prova, memorizou parte das perguntas do exame e informou sobre o vazamento ao Ministério da Educação (MEC).

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No livro, Renata mostra que, diferentemente do que foi divulgado à época pela imprensa, uma auditoria do Inep confirma que não houve falta de fiscalização da gráfica que imprimiu o Enem. Mas sim omissão em relação aos avisos emitidos pelos órgãos técnicos.

Funcionários do próprio Inep que visitaram a gráfica em duas ocasiões, antes do roubo, disseram que “os procedimentos adotados não eram suficientes para garantir o sigilo da prova”, segundo nota técnica de 24 de agosto. Constatou-se que não havia câmeras em lugares estratégicos nem pessoal suficiente para fazer a ronda e fiscalizar o movimento na gráfica.

Dois ex-diretores do Inep, Heliton Ribeiro Tavares e Dorivan Ferreira Gomes, foram condenados pelo Tribunal de Contas da União (TCU), à época, a pagar multas de R$ 5 mil e R$ 3 mil. O ex-presidente do Inep, Reynaldo Fernandes, e o então ministro da Educação, Fernando Haddad, não sabiam da existência das notas técnicas.

Revelações

O Roubo do Enem traz uma série de fatos inéditos sobre o episódio que alavancou o jornalismo de educação no País, com sucessivas manchetes dos principais jornais. Renata conta, por exemplo, como o ex-secretário de educação superior do MEC, Luiz Cláudio Costa, usou a prova de uma bolsa de iniciação científica para “esconder” o pré-teste do Enem e, assim, evitar o vazamento da prova, como em anos anteriores.

O livro destaca a trajetória do exame, antes e depois do vazamento, e a dura relação entre imprensa, polícia e Ministério da Educação para solucionar o caso.