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Insegurança de candidatos marcou o novo Enem em Salvador

Carolina Stanisci

15 Dezembro 2010 | 20h02

SALVADOR –  O clima de tranquilidade das provas do Enem, nesta quarta-feira, 15, em Salvador, contrastou com o sentimento de insegurança e apreensão dos sete estudantes que compareceram para realizar o exame no pavilhão de aulas da Universidade Federal da Bahia (UFBA), no bairro do Canela, único local de reaplicação na capital baiana. Ao todo 16 alunos foram convocados. Eles cobraram do Ministério da Educação uma nova chance porque se sentiram prejudicados por problemas de impressão na prova amarela aplicada em novembro passado.

Karla Milena da Mata Silva, 27 anos, que pleiteia uma vaga nos cursos de Urbanismo ou Administração diz que fez questão dessa segunda
oportunidade porque vê no exame uma porta de entrada para a faculdade. Entretanto, não se sente suficientemente segura em razão dos sucessivos problemas ocorridos no Enem desde o ano passado. “A gente faz porque não tem outro jeito. Mas fico sempre com o pé atrás. Vou acompanhar no próximo ano se cometerão outros erros ou se tentarão recuperar a credibilidade”, diz. No entendimento da aluna, os erros observados este ano foram ainda mais graves que no ano passado. “Vim segura dos conhecimentos que obtive, porém insegura com relação à prova”, completou.

Viviane Cardoso Sena, 24, diz que se sentiu frustrada em novembro por ter concluído toda a prova, sem saber que havia problemas. Na sala dela não foi comunicada a troca no cabeçalho do gabarito. “Fiquei sabendo ao retornar para casa, por meio da imprensa. Foi desanimador, só retornei no dia seguinte por desencargo de consciência. Pensei: este foi mais um ano perdido, vou ter que esperar 2011 para tentar outra vez.”  Ela pretede ingressar no curso de Nutrição na UFBA.

No entendimento da aluna o fato de a prova ter sido remarcada pra um dia de semana, quando muita gente está trabalhando, foi determinante pra o grande número de faltosos. “Acho que fizeram propositadamente par anos punir, porque reclamamos”, opinou.
Para mim fica uma lição, o ensino público, gratuito, nesse país, ainda é um privilégio de gente rica”, afirmou. As duas estudantes reclamaram do curto tempo para a realização das provas, num total de 90 questões, com textos longos, para serem respondidas em quatro horas e meia, além do fato de não terem podido sequer usar relógio de pulso de ponteiro. “Não deu sequer para fazermos um acompanhamento das questões com o tempo estipulado. Muito ruim”, concluiu Viviane.

Internos do sistema prisional baiano, dos regimes fechado, semiaberto e aberto, também se submetem ao exame, nesta quarta e quinta-feiras, em unidades da capital e de municícios do interior do estado. Ao todo, 307 apenados de 13 unidades prisionais indicadas pela Secretaria da Justiça, Cidadania e Direitos Humanos (SJCDH), fazem as provas na Bahia.

(Eliana Lima, especial para o Estadão.edu)

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